Plano Nacional de Vacinação 2026: calendário completo e vacinas gratuitas

16 Outubro 2026 por Alexandre Branco Lopes - 10 minutos de leitura
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Plano Nacional de Vacinação: enfermeira aplica uma vacina no braço de uma mulher adulta numa sala de vacinação de um centro de saúde

O Programa Nacional de Vacinação, a que muita gente chama plano nacional de vacinação ou PNV, define que vacinas se dão em cada idade, do nascimento à idade adulta, e as do esquema geral são gratuitas nos centros de saúde do SNS. Este calendário de saúde pública mudou em 2025 e 2026, com vacinas novas ou trocadas para bebés e um calendário próprio para adultos. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o calendário completo, o que muda em 2026 e que vacinas ficam fora e se pagam.

O que é o Programa Nacional de Vacinação e o que mudou

O PNV foi criado em 1965 e é coordenado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Assenta em cinco princípios: universalidade, gratuitidade, acessibilidade, equidade e aproveitar todas as oportunidades para vacinar. Na prática, as vacinas do esquema geral são gratuitas e dadas nos centros de saúde do SNS. Algumas, como a BCG, a vacina contra o rotavírus ou a pneumocócica Pn23 aos 65 anos, só são gratuitas para grupos de risco.

A gratuitidade vale para todas as pessoas presentes em Portugal, seja qual for o estatuto migratório e mesmo sem número de utente.

O Livro Azul de Vacinas

A 3 de outubro de 2025, a DGS publicou o Livro Azul de Vacinas, que o Governo adotou em março de 2026 como referencial técnico nacional. Junta num só documento o PNV, as estratégias para grupos de risco, a vacinação de viajantes e as recomendações sazonais, e traz um capítulo novo dedicado ao adulto, com calendário para quem tem 18 ou mais anos.

É um documento dinâmico, que a DGS atualiza sempre que é preciso. As mudanças mais recentes no calendário das crianças foram a troca da vacina contra a meningite C pela MenACWY aos 12 meses e a da pneumocócica Pn13 pela Pn20. Em 2026 chegou ainda o alargamento da vacina contra o HPV a mulheres dos 18 aos 26 anos que não completaram o esquema e, nos homens, em 2026, só aos nascidos entre 2000 e 2002.

Calendário de vacinação das crianças e adolescentes

O calendário começa logo ao nascer, com a vacina contra a hepatite B, e concentra a maior parte das doses no primeiro ano de vida: há consultas de vacinação aos 2, 4, 6 e 12 meses.

A vacina hexavalente protege de uma só vez contra seis doenças: difteria, tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenzae b, poliomielite e hepatite B. A Pn20 é a vacina contra a doença pneumocócica, e a MenB e a MenACWY protegem contra a meningite.

IdadeVacinas do PNV
NascimentoHepatite B (1.ª dose)
2 mesesHexavalente, Pn20 e MenB (1.ª dose de cada)
4 mesesHexavalente, Pn20 e MenB (2.ª dose de cada)
6 mesesHexavalente (3.ª dose)
12 mesesMenACWY (dose única), sarampo, papeira e rubéola (VASPR, 1.ª dose), Pn20 e MenB (3.ª dose de cada)
18 mesesReforço contra difteria, tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenzae b e poliomielite
5 anosReforço contra difteria, tétano, tosse convulsa e poliomielite e VASPR (2.ª dose)
10 anosHPV (2 doses, com 6 meses de intervalo) e tétano e difteria (Td)

A tabela mostra o esquema geral, igual para todas as crianças. Há vacinas que só se dão a grupos de risco, e o médico ou o enfermeiro de família pode ajustar as datas se o bebé nasceu prematuro ou tem alguma doença.

Para teres o calendário sempre à mão, guarda esta imagem no telemóvel: resume as idades e as vacinas que se dão em cada consulta, do nascimento aos 10 anos, e o que se faz depois na idade adulta.

Calendário do Plano Nacional de Vacinação por idades: vacinas gratuitas do nascimento aos 10 anos e reforços do adulto

Vacina contra o HPV aos 10 anos

A vacina contra o vírus do papiloma humano dá-se, por rotina, aos 10 anos, a raparigas e rapazes, em 2 doses com 6 meses de intervalo. Os rapazes entraram no programa a partir dos nascidos em 2009. Na mesma idade faz-se o reforço contra tétano e difteria (Td).

BCG e rotavírus: só para alguns bebés

A BCG, contra a tuberculose, já não se dá a todos os bebés: é só para crianças de grupos de risco com menos de 6 anos, depois de um rastreio neonatal de imunodeficiência grave (SCID) negativo. A vacina contra o rotavírus também não faz parte do esquema geral: é dada, gratuitamente, apenas a crianças de grupos de risco, em 2 ou 3 doses conforme a vacina.

Proteção contra o VSR na época de outono-inverno

Contra o vírus sincicial respiratório (VSR), os bebés recebem o nirsevimab, um anticorpo que dá proteção imediata e não é uma vacina. É voluntário e gratuito e, na época 2026-2027, dá-se entre 16 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027 a:

  • bebés nascidos entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027;
  • prematuros de até 33 semanas e 6 dias nascidos entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026;
  • crianças com fatores de risco que tenham menos de 24 meses a 30 de setembro de 2026.

Se uma vacina ficou em atraso, a criança pode pô-la em dia numa consulta no centro de saúde, com um esquema de recurso gratuito, dentro das idades máximas definidas pela DGS.

Vacinas na gravidez

A gravidez tem vacinas próprias, que protegem a mãe e passam anticorpos ao bebé nos primeiros meses de vida, antes de ele poder ser vacinado. As do programa são gratuitas e dão-se no centro de saúde.

A principal é a Tdpa, contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria: uma dose em cada gravidez, entre as 20 e as 36 semanas, de preferência até às 32. Na campanha de outono-inverno, as grávidas também têm a vacina da gripe gratuita e fazem parte do grupo da vacina contra a COVID-19, exceto quem completar o esquema primário durante a gravidez.

A gravidez e o nascimento também dão acesso a apoios em dinheiro, consoante as condições e os rendimentos do agregado: o abono de família pré-natal (a partir da 13.ª semana de gravidez), o subsídio parental inicial, que paga os dias da licença parental inicial, e, depois do nascimento, o abono de família para crianças e jovens. Se o médico te disser que a gravidez é de risco, existe o subsídio por risco clínico durante a gravidez.

Calendário vacinal do adulto

Depois dos 18 anos, o calendário tem menos doses, mas não acaba. O reforço contra tétano e difteria (Td) faz-se aos 25, 45 e 65 anos e, a partir daí, de 10 em 10 anos. Quem nasceu a partir de 1970 e não tem registo de vacinação nem historial de sarampo deve fazer 1 dose de VASPR.

Em 2026, a vacina contra o HPV passou a ser gratuita também para mulheres dos 18 aos 26 anos que não completaram o esquema. Nos homens, em 2026, abrange só os nascidos entre 2000 e 2002, e o alargamento a quem nasceu entre 2003 e 2008 vai ser feito por fases.

Aos 65 anos recomenda-se uma dose da vacina pneumocócica Pn23, mas só é gratuita para quem tem uma condição de risco, como ausência de baço, imunodeficiências, infeção por VIH com CD4 baixos, transplante ou síndrome nefrótica. Sem essa condição, é paga.

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Gripe e COVID-19 na campanha 2026-2027

A campanha sazonal arrancou a 30 de setembro de 2026 e está prevista até 31 de março de 2027. A vacina da gripe é gratuita para quem tem 60 ou mais anos, crianças dos 6 meses aos 4 anos, grávidas, pessoas dos 5 aos 59 anos com patologias de risco, residentes em lares de idosos e alguns profissionais, como os do SNS. A da COVID-19 é para quem tem 70 ou mais anos, pessoas com patologias de risco e grávidas. Quem tem direito, onde te vacinas (centro de saúde ou farmácia) e o que levar está no nosso guia da vacina da gripe e da COVID-19.

Vacinas que podes ter de pagar

Nem todas as vacinas são gratuitas para todas as pessoas. Algumas estão no programa só para grupos de risco e outras ficam fora dele. A maioria das que pagas compra-se na farmácia com receita médica, e as de viagem dão-se em centros próprios. Antes de pagares, pergunta ao médico se pertences a algum grupo de risco, porque aí a mesma vacina pode ser gratuita.

Estas são as situações mais comuns em que vais ter de pagar a vacina, no todo ou em parte:

  • Gripe fora dos grupos da campanha: compra-se na farmácia, com receita médica, e pagas o preço da vacina;
  • VSR em adultos: ao contrário do anticorpo dos bebés, as vacinas contra o vírus sincicial respiratório para adultos compram-se na farmácia, com receita;
  • Pneumocócica Pn23 aos 65 anos: está no calendário do adulto, mas sem condição de risco é paga;
  • Hepatite A: é gratuita só para grupos de risco, e quem a toma para viajar paga-a;
  • Varicela e zona (herpes zóster): não fazem parte do esquema geral, por isso pergunta ao médico.

Para a parte que pagas do teu bolso, vale a pena conhecer as ajudas do Estado para medicamentos e saúde.

Vacinas de viagem

As vacinas da febre amarela e da febre tifoide só se dão nos Centros de Vacinação Internacional, com receita médica e pagamento de uma taxa. Se vais para fora, marca primeiro a consulta do viajante, onde te dizem que vacinas precisas para o destino. Se viajas para a União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça ou Reino Unido, leva também o Cartão Europeu de Seguro de Doença: dá acesso aos cuidados de saúde que se tornem necessários durante a estada, nas mesmas condições dos residentes desse país.

Também há pontos de vacinação privados e do setor social que dão vacinas do PNV, desde que tenham protocolo com a Unidade Local de Saúde (ULS) da zona. Num hospital ou clínica privada sem esse protocolo, podes ter de pagar a vacina.

Onde e como te vacinas

Para te vacinares, ou vacinares os teus filhos, vai ao centro de saúde da tua área e leva o boletim de vacinas e, se o tiveres, o teu número de utente. Confirma na tua unidade se precisas de marcar antes, já que cada centro se organiza à sua maneira.

Cada vacina que tomas fica gravada no registo central de vacinas do SNS. É daí que vem o boletim de vacinas eletrónico, que podes consultar na Área do Cidadão do SNS 24 ou na app SNS 24.

Antes de ires ao centro de saúde
Abre a app SNS 24, vê as vacinas já registadas no boletim eletrónico e compara-as com o calendário deste guia. Assim chegas à consulta já a saber o que perguntar.

Se tens dúvidas sobre as vacinas que te faltam ou sobre se pertences a um grupo de risco, fala com o teu médico de família ou com o enfermeiro do centro de saúde.

Outras perguntas frequentes

Jornalista especializado em apoios e subsídios. Português, licenciado em Jornalismo, trabalhou como redator na Europa Press e no El Español (Omicrono e El Androide Libre), onde assinava como Alex Branco. Escreve sobre apoios e prestações sociais no site irmão espanhol Tus Ayudas desde 2025 e agora também em As Tuas Ajudas, onde confirma cada valor e cada prazo em fontes oficiais: Diário da República, Segurança Social e IEFP.


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