O Programa Nacional de Vacinação, a que muita gente chama plano nacional de vacinação ou PNV, define que vacinas se dão em cada idade, do nascimento à idade adulta, e as do esquema geral são gratuitas nos centros de saúde do SNS. Este calendário de saúde pública mudou em 2025 e 2026, com vacinas novas ou trocadas para bebés e um calendário próprio para adultos. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o calendário completo, o que muda em 2026 e que vacinas ficam fora e se pagam.
Índice
O que é o Programa Nacional de Vacinação e o que mudou
O PNV foi criado em 1965 e é coordenado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). Assenta em cinco princípios: universalidade, gratuitidade, acessibilidade, equidade e aproveitar todas as oportunidades para vacinar. Na prática, as vacinas do esquema geral são gratuitas e dadas nos centros de saúde do SNS. Algumas, como a BCG, a vacina contra o rotavírus ou a pneumocócica Pn23 aos 65 anos, só são gratuitas para grupos de risco.
A gratuitidade vale para todas as pessoas presentes em Portugal, seja qual for o estatuto migratório e mesmo sem número de utente.
O Livro Azul de Vacinas
A 3 de outubro de 2025, a DGS publicou o Livro Azul de Vacinas, que o Governo adotou em março de 2026 como referencial técnico nacional. Junta num só documento o PNV, as estratégias para grupos de risco, a vacinação de viajantes e as recomendações sazonais, e traz um capítulo novo dedicado ao adulto, com calendário para quem tem 18 ou mais anos.
É um documento dinâmico, que a DGS atualiza sempre que é preciso. As mudanças mais recentes no calendário das crianças foram a troca da vacina contra a meningite C pela MenACWY aos 12 meses e a da pneumocócica Pn13 pela Pn20. Em 2026 chegou ainda o alargamento da vacina contra o HPV a mulheres dos 18 aos 26 anos que não completaram o esquema e, nos homens, em 2026, só aos nascidos entre 2000 e 2002.
Calendário de vacinação das crianças e adolescentes
O calendário começa logo ao nascer, com a vacina contra a hepatite B, e concentra a maior parte das doses no primeiro ano de vida: há consultas de vacinação aos 2, 4, 6 e 12 meses.
A vacina hexavalente protege de uma só vez contra seis doenças: difteria, tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenzae b, poliomielite e hepatite B. A Pn20 é a vacina contra a doença pneumocócica, e a MenB e a MenACWY protegem contra a meningite.
Idade
Vacinas do PNV
Nascimento
Hepatite B (1.ª dose)
2 meses
Hexavalente, Pn20 e MenB (1.ª dose de cada)
4 meses
Hexavalente, Pn20 e MenB (2.ª dose de cada)
6 meses
Hexavalente (3.ª dose)
12 meses
MenACWY (dose única), sarampo, papeira e rubéola (VASPR, 1.ª dose), Pn20 e MenB (3.ª dose de cada)
18 meses
Reforço contra difteria, tétano, tosse convulsa, Haemophilus influenzae b e poliomielite
5 anos
Reforço contra difteria, tétano, tosse convulsa e poliomielite e VASPR (2.ª dose)
10 anos
HPV (2 doses, com 6 meses de intervalo) e tétano e difteria (Td)
A tabela mostra o esquema geral, igual para todas as crianças. Há vacinas que só se dão a grupos de risco, e o médico ou o enfermeiro de família pode ajustar as datas se o bebé nasceu prematuro ou tem alguma doença.
Para teres o calendário sempre à mão, guarda esta imagem no telemóvel: resume as idades e as vacinas que se dão em cada consulta, do nascimento aos 10 anos, e o que se faz depois na idade adulta.
Vacina contra o HPV aos 10 anos
A vacina contra o vírus do papiloma humano dá-se, por rotina, aos 10 anos, a raparigas e rapazes, em 2 doses com 6 meses de intervalo. Os rapazes entraram no programa a partir dos nascidos em 2009. Na mesma idade faz-se o reforço contra tétano e difteria (Td).
BCG e rotavírus: só para alguns bebés
A BCG, contra a tuberculose, já não se dá a todos os bebés: é só para crianças de grupos de risco com menos de 6 anos, depois de um rastreio neonatal de imunodeficiência grave (SCID) negativo. A vacina contra o rotavírus também não faz parte do esquema geral: é dada, gratuitamente, apenas a crianças de grupos de risco, em 2 ou 3 doses conforme a vacina.
Proteção contra o VSR na época de outono-inverno
Contra o vírus sincicial respiratório (VSR), os bebés recebem o nirsevimab, um anticorpo que dá proteção imediata e não é uma vacina. É voluntário e gratuito e, na época 2026-2027, dá-se entre 16 de setembro de 2026 e 31 de março de 2027 a:
bebés nascidos entre 1 de abril de 2026 e 31 de março de 2027;
prematuros de até 33 semanas e 6 dias nascidos entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026;
crianças com fatores de risco que tenham menos de 24 meses a 30 de setembro de 2026.
Se uma vacina ficou em atraso, a criança pode pô-la em dia numa consulta no centro de saúde, com um esquema de recurso gratuito, dentro das idades máximas definidas pela DGS.
Vacinas na gravidez
A gravidez tem vacinas próprias, que protegem a mãe e passam anticorpos ao bebé nos primeiros meses de vida, antes de ele poder ser vacinado. As do programa são gratuitas e dão-se no centro de saúde.
A principal é a Tdpa, contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria: uma dose em cada gravidez, entre as 20 e as 36 semanas, de preferência até às 32. Na campanha de outono-inverno, as grávidas também têm a vacina da gripe gratuita e fazem parte do grupo da vacina contra a COVID-19, exceto quem completar o esquema primário durante a gravidez.
Depois dos 18 anos, o calendário tem menos doses, mas não acaba. O reforço contra tétano e difteria (Td) faz-se aos 25, 45 e 65 anos e, a partir daí, de 10 em 10 anos. Quem nasceu a partir de 1970 e não tem registo de vacinação nem historial de sarampo deve fazer 1 dose de VASPR.
Em 2026, a vacina contra o HPV passou a ser gratuita também para mulheres dos 18 aos 26 anos que não completaram o esquema. Nos homens, em 2026, abrange só os nascidos entre 2000 e 2002, e o alargamento a quem nasceu entre 2003 e 2008 vai ser feito por fases.
Aos 65 anos recomenda-se uma dose da vacina pneumocócica Pn23, mas só é gratuita para quem tem uma condição de risco, como ausência de baço, imunodeficiências, infeção por VIH com CD4 baixos, transplante ou síndrome nefrótica. Sem essa condição, é paga.
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A campanha sazonal arrancou a 30 de setembro de 2026 e está prevista até 31 de março de 2027. A vacina da gripe é gratuita para quem tem 60 ou mais anos, crianças dos 6 meses aos 4 anos, grávidas, pessoas dos 5 aos 59 anos com patologias de risco, residentes em lares de idosos e alguns profissionais, como os do SNS. A da COVID-19 é para quem tem 70 ou mais anos, pessoas com patologias de risco e grávidas. Quem tem direito, onde te vacinas (centro de saúde ou farmácia) e o que levar está no nosso guia da vacina da gripe e da COVID-19.
Vacinas que podes ter de pagar
Nem todas as vacinas são gratuitas para todas as pessoas. Algumas estão no programa só para grupos de risco e outras ficam fora dele. A maioria das que pagas compra-se na farmácia com receita médica, e as de viagem dão-se em centros próprios. Antes de pagares, pergunta ao médico se pertences a algum grupo de risco, porque aí a mesma vacina pode ser gratuita.
Estas são as situações mais comuns em que vais ter de pagar a vacina, no todo ou em parte:
Gripe fora dos grupos da campanha: compra-se na farmácia, com receita médica, e pagas o preço da vacina;
VSR em adultos: ao contrário do anticorpo dos bebés, as vacinas contra o vírus sincicial respiratório para adultos compram-se na farmácia, com receita;
Pneumocócica Pn23 aos 65 anos: está no calendário do adulto, mas sem condição de risco é paga;
Hepatite A: é gratuita só para grupos de risco, e quem a toma para viajar paga-a;
Varicela e zona (herpes zóster): não fazem parte do esquema geral, por isso pergunta ao médico.
As vacinas da febre amarela e da febre tifoide só se dão nos Centros de Vacinação Internacional, com receita médica e pagamento de uma taxa. Se vais para fora, marca primeiro a consulta do viajante, onde te dizem que vacinas precisas para o destino. Se viajas para a União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça ou Reino Unido, leva também o Cartão Europeu de Seguro de Doença: dá acesso aos cuidados de saúde que se tornem necessários durante a estada, nas mesmas condições dos residentes desse país.
Também há pontos de vacinação privados e do setor social que dão vacinas do PNV, desde que tenham protocolo com a Unidade Local de Saúde (ULS) da zona. Num hospital ou clínica privada sem esse protocolo, podes ter de pagar a vacina.
Onde e como te vacinas
Para te vacinares, ou vacinares os teus filhos, vai ao centro de saúde da tua área e leva o boletim de vacinas e, se o tiveres, o teu número de utente. Confirma na tua unidade se precisas de marcar antes, já que cada centro se organiza à sua maneira.
Cada vacina que tomas fica gravada no registo central de vacinas do SNS. É daí que vem o boletim de vacinas eletrónico, que podes consultar na Área do Cidadão do SNS 24 ou na app SNS 24.
Antes de ires ao centro de saúde
Abre a app SNS 24, vê as vacinas já registadas no boletim eletrónico e compara-as com o calendário deste guia. Assim chegas à consulta já a saber o que perguntar.
Se tens dúvidas sobre as vacinas que te faltam ou sobre se pertences a um grupo de risco, fala com o teu médico de família ou com o enfermeiro do centro de saúde.
Outras perguntas frequentes
📒Perdi o boletim de vacinas. Como sei que vacinas já tomei?
Podes consultar o boletim de vacinas eletrónico na Área do Cidadão do SNS 24 ou na app SNS 24, que mostra as vacinas registadas no registo central de vacinas. Em caso de dúvida, pergunta no centro de saúde da tua área.
🌍Posso vacinar-me de graça se não tiver número de utente?
Sim. As vacinas do esquema geral do Programa Nacional de Vacinação são gratuitas para quem está em Portugal, seja qual for o estatuto migratório e mesmo sem número de utente; as que são só para grupos de risco são gratuitas para quem pertence a esses grupos. Dirige-te ao centro de saúde da tua área.
⏰O meu filho falhou uma vacina. Ainda a pode tomar?
Sim. No centro de saúde, a criança pode pôr as vacinas em atraso em dia com um esquema de recurso gratuito, dentro das idades máximas definidas pela DGS. Leva o boletim de vacinas para o enfermeiro ver o que falta.
💶Quanto pago pela vacina da gripe se não estiver num grupo gratuito?
Fora dos grupos da campanha sazonal, a vacina da gripe compra-se na farmácia com receita médica e pagas o preço da vacina. Na farmácia confirmas o preço e se há comparticipação.
Jornalista especializado em apoios e subsídios. Português, licenciado em Jornalismo, trabalhou como redator na Europa Press e no El Español (Omicrono e El Androide Libre), onde assinava como Alex Branco. Escreve sobre apoios e prestações sociais no site irmão espanhol Tus Ayudas desde 2025 e agora também em As Tuas Ajudas, onde confirma cada valor e cada prazo em fontes oficiais: Diário da República, Segurança Social e IEFP.
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