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O cartão europeu de saúde é gratuito, vale três anos e dá-te acesso ao sistema público de saúde de 32 países nas mesmas condições de quem lá vive. Chama-se oficialmente Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD), pede-se à Segurança Social e demora entre cinco e sete dias úteis a chegar a casa, o que convém saber antes de marcares a viagem. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te em que países é válido, o que cobre e o que fica de fora, como o pedes e como o renovas, e o que podes fazer se adoeceres no estrangeiro sem ele na carteira.
Índice
O que é o cartão europeu de saúde?
O Cartão Europeu de Seguro de Doença, ou CESD, é o documento que prova que estás coberto por um sistema de saúde na Europa. Não é um seguro de viagem nem paga uma percentagem das tuas contas: o que faz é colocar-te, num hospital ou centro de saúde público de outro país, nas mesmas condições de um residente desse país.
É um cartão pessoal e de modelo único em toda a Europa, com validade de três anos. Há uma exceção a essa validade que apanha muita gente: se vives em Portugal com autorização de residência, o cartão só é válido enquanto a autorização o for, por isso, se renovares o título de residência, tens de pedir um cartão novo.
E é totalmente gratuito, sem exceções: não pagas pela emissão nem pela renovação. Se encontrares um site a cobrar por ele, é burla. Pede-o sempre pelos canais oficiais da Segurança Social.
Não existe cartão de família. O CESD é individual, por isso cada pessoa do teu agregado precisa do seu, incluindo os bebés.
Em que países é válido o cartão europeu de saúde?
O cartão é válido nos 27 Estados-Membros da União Europeia, mais a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega, a Suíça e o Reino Unido. São 32 países ao todo.
A lista mudou pouco ao longo dos anos, mas convém olhar para ela com atenção antes de comprares a viagem: fora destes países o cartão não te serve de nada, por muito perto que fiquem. E dentro deles a cobertura é a mesma em todo o lado, seja um hospital em Berlim ou um centro de saúde numa aldeia da Polónia.
Países onde o CESD funciona
Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia, Suécia e Suíça.
O Reino Unido continua na lista depois do Brexit
Sim, o cartão continua a funcionar no Reino Unido, e não é um resto do passado: está previsto no Acordo de Comércio e Cooperação entre a União Europeia e o Reino Unido, aplicado desde 1 de janeiro de 2021 e em vigor desde 1 de maio de 2021. Levas o teu cartão português e usas o serviço público britânico nas mesmas condições de um residente, incluindo o acompanhamento de doenças crónicas que já tenhas e os cuidados de gravidez de rotina, desde que não seja essa a razão da viagem.
Não precisas de pedir o cartão britânico: esse é para quem vive no Reino Unido.
E se viajares para fora destes 32 países?
Fora desta lista o CESD não serve, mas isso não quer dizer que fiques sem nada. Portugal tem acordos bilaterais de segurança social com Andorra, Brasil, Cabo Verde, Canadá (Quebeque), Marrocos e Tunísia, e para esses destinos existe um formulário próprio que tens de pedir à Segurança Social antes de partires. Para qualquer outro país, o que te protege é um seguro de viagem, não o cartão.
O que o cartão cobre (e o que não cobre)
O CESD cobre os cuidados de saúde necessários, urgentes e inadiáveis durante uma estada temporária: umas férias, uma viagem de trabalho, um Erasmus. A ideia é que não tenhas de voltar a Portugal para seres tratado nem de adiar um problema que não pode esperar.
Vale nos serviços públicos de saúde do país onde estás. Repara que isto não é um “não” absoluto ao privado: se uma clínica privada tiver acordo com o sistema público daquele país e aceitar o CESD, o cartão funciona lá. O que fica de fora é o privado puro, sem acordo nenhum.
O que fica de fora
Repatriamento: se adoeceres com gravidade, o transporte de volta a Portugal não está coberto.
Operações de busca e salvamento: um resgate na montanha ou no mar corre por tua conta, e é aí que entra um seguro de acidentes pessoais.
Tratamentos programados, ou seja, viajar de propósito para receber cuidados médicos noutro país. Para isso existe a autorização prévia, com o formulário S2, que é outro caminho.
Cuidados prestados apenas em privados sem acordo com o sistema público.
Importante
Se tens uma doença crónica e precisas de diálise, oxigenoterapia ou quimioterapia durante a viagem, marca o tratamento antes de partires. O cartão dá-te o direito, mas não garante que haja vaga no dia em que apareces.
Quem pode pedir o cartão europeu de saúde?
Tens direito ao CESD se estás abrangido por um regime de segurança social, como trabalhador, pensionista ou familiar de um dos dois, e também se estás inscrito no seguro social voluntário, se és trabalhador destacado noutro país, ou se és pensionista de um sistema estrangeiro obrigatório.
Podes pedi-lo igualmente se pertences a um subsistema de saúde: ADSE, IASFA/ADM, SAD-GNR, SAD-PSP ou CPAS, a caixa dos advogados e solicitadores.
Há ainda uma terceira via: basta seres utente do SNS e residente legal em Portugal. Repara bem no que isto quer dizer: não é preciso teres nacionalidade portuguesa nem de outro país da União Europeia. Quem é nacional de um país terceiro, reside legalmente cá e está coberto por um regime de proteção social tem direito ao cartão.
Atenção
Ter um seguro de saúde privado não é o mesmo que pertencer a um subsistema, e não dá direito ao CESD. E se és beneficiário da ADSE, atenção: desde 2020 a ADSE já não emite o cartão, por isso pede-o à Segurança Social como toda a gente.
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Se preferires tratar disso presencialmente, podes pedir o CESD em qualquer Serviço de Atendimento da Segurança Social e nas Lojas do Cidadão, ou enviar o pedido por correio para o Centro Distrital da tua área. Nos Açores o pedido é feito ao Instituto da Segurança Social dos Açores e na Madeira ao Instituto de Segurança Social da Madeira. Nos serviços de atendimento preenche-se o formulário GIT 53.
Leva contigo o NISS, um documento de identificação como o cartão de cidadão, o número de utente do SNS e, se pertenceres a um subsistema, o respetivo cartão de beneficiário. Confirma também a morada, porque é para lá que o cartão vai ser enviado.
E as crianças?
As crianças e os jovens precisam do seu próprio cartão e pedem-no online, registando-se na Segurança Social Direta com o NISS deles. O pedido repete-se por cada membro do agregado. Se num casal só uma pessoa trabalha, o cônjuge e os filhos têm na mesma direito ao cartão, como familiares de um beneficiário.
Enquanto tratas dos documentos da viagem, aproveita para veres a tua situação com calma. Faz uma simulação gratuita e descobre que apoios podem estar disponíveis para ti.
Quanto tempo demora a chegar e o que fazer se viajares já
O cartão é emitido e enviado pelo correio entre cinco e sete dias úteis depois do pedido, para a morada que tens registada na Segurança Social, a mesma que consta do teu comprovativo de morada. Podes indicar outra na altura do pedido, se estiveres noutro sítio.
Há aqui um pormenor que custa dinheiro a muita gente: o comprovativo do pedido não substitui o cartão. Se o CESD se atrasar, esse papel não é aceite por nenhum hospital no estrangeiro.
O Certificado Provisório de Substituição
Se o cartão não chegar a tempo ou o perderes, existe o Certificado Provisório de Substituição (CPS), que tem exatamente o mesmo valor legal que o CESD e é válido três meses. Serve nas duas situações que mais acontecem: perdeste o cartão, ou a Segurança Social não conseguiu emiti-lo antes de partires.
Pedes o certificado pelos mesmos canais do cartão, e podes recebê-lo na caixa de mensagens da Segurança Social Direta, por correio, ou até diretamente no hospital que te está a tratar. Não é automático: tens de o pedir.
Como renovar o cartão europeu de saúde
A renovação do cartão europeu de saúde faz-se pelos mesmos canais do primeiro pedido, e o mais simples é repetir o percurso da Segurança Social Direta que já viste acima. Não pagas nada e não tens de entregar documentos novos se a tua situação não mudou.
Podes pedir a renovação nos últimos 30 dias antes de o cartão caducar. É a janela indicada pelos serviços oficiais e a mais cómoda, porque o cartão novo chega antes de o antigo deixar de valer.
E se o teu cartão já caducou?
Não há problema nem penalização: fazes simplesmente um novo pedido, que é analisado e dá origem a um cartão novo, com os mesmos cinco a sete dias úteis de espera. Não perdes o direito por teres deixado passar a data, só ficas sem o documento que o prova. Como esse documento é precisamente o que te pedem no balcão de um hospital estrangeiro, resolve isto antes de viajares.
Se o teu cartão caducou e a viagem é já, pede o cartão novo e, ao mesmo tempo, o Certificado Provisório de Substituição. É o certificado que te cobre nesses dias.
Quanto vais pagar pelos serviços de saúde com o cartão?
Pagas o mesmo que um residente do país onde estás, e isso quase nunca significa zero. Em muitos países há taxas moderadoras, comparticipações ou um valor fixo por consulta, e com o CESD pagas exatamente esses valores.
O detalhe importante é que esse dinheiro não é reembolsável. Faz parte do jogo de seres tratado como um residente: não é uma despesa que possas reclamar depois em Portugal, tal como não a reclamarias aqui ao pagares uma taxa moderadora numa consulta com o teu médico de família.
Pagaste tudo do teu bolso? Como pedir o reembolso
Se te cobraram a consulta ou o internamento inteiro, por não teres o cartão contigo ou por o hospital não o aceitar, guarda todas as faturas. Quando regressares, entrega-as no teu centro de saúde ou no teu subsistema de saúde, seja a ADSE ou outro: o Ministério da Saúde ou o subsistema analisam o caso e decidem se tens direito ao reembolso das despesas.
Há ainda uma saída no próprio momento, que vale a pena conhecer: o hospital estrangeiro pode contactar diretamente a Segurança Social portuguesa para confirmar a tua situação, e resolver ali o problema.
Atenção
É uma análise, não um reembolso automático: podem devolver-te tudo, uma parte ou nada, consoante o que as regras daquele país previam para um residente. As fontes oficiais não fixam um prazo para entregares as faturas, mas não convém arrastar: entrega-as assim que regressares e pergunta no teu centro de saúde o que precisam de ti.
Se perderes o cartão ou to roubarem em viagem
Avisa imediatamente quem o emitiu, a Segurança Social ou o teu subsistema de saúde. Não é uma sugestão: esta comunicação é obrigatória.
E não ficas desprotegido enquanto resolves. Podem enviar-te um Certificado Provisório de Substituição por e-mail, com o mesmo valor legal do cartão, o que te resolve a situação mesmo que precises de ser internado. Para isso tens a Linha Segurança Social (210 545 400 ou 300 502 502, nos dias úteis das 9h00 às 18h00) e o formulário de contacto da Segurança Social Direta.
Se mudares de país, o cartão deixa de ser o documento certo
O CESD é para estadas temporárias. No momento em que passas a ter a tua residência habitual noutro país da União Europeia, ele deixa de ser o documento adequado: o que precisas é do formulário S1, que te dá cobertura de saúde completa no país onde vais viver, e não apenas o que é urgente e inadiável.
É a mesma lógica que se aplica a quem trabalhou no estrangeiro e depois trata da reforma: o país onde vives muda os documentos que te fazem falta. Tens ainda um dever que costuma passar despercebido: comunicar à Segurança Social quando mudas de morada ou começas a trabalhar noutro país.
Importante
Se ficares doente já em Portugal e a baixa te impedir de trabalhar, o caminho é outro e começa na linha SNS 24: passa pela baixa médica e, se cumprires as condições, pelo subsídio de doença. O cartão europeu de saúde só trata do que acontece fora do país.
Outras perguntas frequentes
🔄 Como renovo o cartão europeu de saúde?
Pelos mesmos canais do primeiro pedido, e de preferência nos últimos 30 dias antes de o cartão caducar. Se já caducou, fazes simplesmente um novo pedido: não perdes o direito, só ficas sem o documento que o prova.
⏱️ Quanto tempo demora a chegar o cartão europeu de saúde?
Entre cinco e sete dias úteis depois do pedido, enviado por correio para a morada que tens registada na Segurança Social. Atenção: o comprovativo do pedido não substitui o cartão e não é aceite no estrangeiro.
🇬🇧 O cartão europeu de saúde ainda funciona no Reino Unido?
Sim. Está previsto no Acordo de Comércio e Cooperação entre a União Europeia e o Reino Unido, e usas o serviço público britânico nas mesmas condições de um residente. Não precisas de pedir o cartão britânico.
🚑 O que é que o cartão europeu de saúde não cobre?
Não cobre o repatriamento, as operações de busca e salvamento, os tratamentos programados nem os cuidados prestados apenas em privados sem acordo com o sistema público. As taxas moderadoras que pagas no país onde estás também não são reembolsáveis.
Redator especializado em finanças pessoais e literacia financeira. Foi redator em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre conceitos do dia a dia, família e habitação, entre 2023 e 2024.
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