Consulta do viajante: quando marcar, onde fazer e que vacinas precisas

9 Outubro 2026 por Alexandre Branco Lopes - 7 minutos de leitura
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Consulta do viajante: médico aponta o destino num mapa ao lado do certificado internacional de vacinação e do passaporte

A consulta do viajante é a consulta de saúde em que te dizem que vacinas, medicamentos preventivos e cuidados de que precisas antes de ir para fora, em função do destino, do tipo de viagem e de quem viaja. Existe no Serviço Nacional de Saúde, em consultas do viajante e Centros de Vacinação Internacional espalhados pelo país, e o ideal é marcá-la 1 a 2 meses antes de partir. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te quando e onde a fazer, o que levar, quanto custa e que vacinas podes precisar.

O que é a consulta do viajante

É uma consulta de medicina do viajante, diferente de uma consulta normal no centro de saúde. O médico olha para o teu itinerário e para a tua saúde e diz-te o que fazer antes, durante e depois da viagem.

Não é só vacinas: inclui também medicação preventiva, conselhos sobre a água e a comida e a lista de medicamentos que deves levar na mala. Segundo o SNS 24, a consulta cobre quatro coisas:

  • a vacinação ou a toma preventiva de medicação contra doenças que em Portugal têm risco baixo ou inexistente;
  • a higiene e os cuidados com a água e os alimentos;
  • o aconselhamento e a receita da farmácia do viajante que deves levar contigo;
  • informação sobre assistência médica, riscos de acidente e segurança no destino.

É importante para qualquer viajante saudável e ainda mais para grávidas, crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas.

Quando marcar a consulta

O SNS 24 recomenda marcar a consulta 1 a 2 meses antes da viagem. Algumas vacinas precisam de mais do que uma dose, e a marcação nem sempre é imediata, por isso não deixes para a última semana. Se tomas medicação crónica, aproveita também para pedir ao teu médico de família as receitas de que vais precisar durante a viagem.

A vacina da febre amarela tem de ser dada pelo menos 10 dias antes de viajar, porque só protege, e o certificado só vale, a partir do 10.º dia. Se o teu destino a exige à entrada, esta é a data que não podes falhar.

Onde fazer a consulta do viajante no SNS

Há consultas do viajante e Centros de Vacinação Internacional (CVI) espalhados por todo o país, incluindo nos Açores e na Madeira. Os CVI atendem pessoas de qualquer região, por isso não tens de ir ao da tua área, desde que leves a prescrição das vacinas.

A vacina da febre amarela só é dada nos Centros de Vacinação Internacional do SNS, e sempre com prescrição médica onde constem as vacinas a administrar. As outras vacinas de viagem podem ser-te receitadas na consulta do viajante ou pelo teu médico de família.

O contacto e a forma de marcação variam de centro para centro. Para saberes qual te fica mais perto, pergunta no teu centro de saúde ou liga para a Linha SNS 24 (808 24 24 24). Se já estás habituado a marcar consultas no SNS pela app ou online, confirma se o teu centro também aceita pedidos por essa via.

Que documentos levar

A consulta decide as vacinas a partir do que já tens tomado, por isso o registo de vacinação é o documento mais importante. Sem ele, o médico pode ter de repetir vacinas que já fizeste.

No dia da consulta, o SNS 24 pede que leves:

  • documento de identificação;
  • documento com o número de utente;
  • boletim individual de saúde ou de vacinas;
  • Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, se já tiveres um.
Leva o itinerário escrito
Aponta os países, as datas e o tipo de viagem (cidade, zonas rurais, trabalho, voluntariado) e a lista dos medicamentos que tomas. Com isso à frente, o médico decide mais depressa e não te escapa nenhuma vacina.

Quanto custa a consulta do viajante

A consulta do viajante é paga do teu bolso. Como é uma consulta pedida por iniciativa tua, e não por motivo de doença, a Administração Central do Sistema de Saúde diz que não há enquadramento para dispensar a taxa moderadora. O valor depende do serviço onde a fazes, e não há um preço único para todo o país.

As vacinas de viagem, como a da febre amarela ou a da febre tifoide, também são pagas e não entram no Programa Nacional de Vacinação. Já as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (tétano, difteria, sarampo) são gratuitas nos centros de saúde e não precisam de receita. O preço das vacinas de viagem muda consoante o CVI, por isso pergunta-o quando marcares.

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De que vacinas podes precisar

Antes de qualquer vacina de viagem, confirma que tens as de rotina em dia. O SNS 24 recomenda que os adultos tenham atualizadas a vacina do tétano e difteria e a do sarampo, e que as crianças e jovens até aos 18 anos tenham o Programa Nacional de Vacinação completo.

Depois, conforme o destino, a consulta pode recomendar outras:

VacinasQuando se recomendam
Tétano, difteria, hepatite B, sarampo, papeira e rubéola, gripeNormalmente, para qualquer viagem
Febre amarelaViagens para países de África ou da América do Sul
Hepatite A e febre tifoideDestinos com más condições de higiene e água de consumo não controlada
Doença meningocócica, encefalite japonesaConforme o destino e o tipo de viagem

As recomendações para viajantes mudam com frequência, conforme a situação das doenças em cada país. Por isso a tabela serve para te orientar, mas quem decide as vacinas é o médico na consulta.

Febre amarela e o certificado internacional

A febre amarela é a única doença para a qual o Regulamento Sanitário Internacional da OMS permite que um país exija prova de vacinação à entrada. Essa prova é o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, que recebes no Centro de Vacinação Internacional depois de tomares a vacina. Alguns países exigem-no à entrada; outros só recomendam a vacina.

Importante
Uma dose única da vacina da febre amarela protege para toda a vida, e não são necessárias doses de reforço. Desde 11 de julho de 2016, o certificado é válido para toda a vida a partir do 10.º dia depois da vacinação. Guarda-o com o passaporte: é esse papel que te podem pedir na fronteira.

Outros cuidados antes de partir

Para algumas doenças não há vacina, e a consulta pode receitar-te medicação preventiva, como acontece com a malária em vários destinos. Aí conta também a proteção contra picadas: roupa larga e clara, mangas e calças compridas e repelente (com concentração abaixo de 35 % nas grávidas e de 30 % nas crianças com mais de 2 meses).

A diarreia do viajante atinge 20 a 50 % de quem viaja para destinos internacionais. Bebe só água engarrafada, descasca a fruta, evita gelo feito com água da torneira e comida vendida na rua.

Antes de ir, trata também do resto:

Grávidas nas últimas 4 semanas de gestação (8 semanas se forem gémeos) não devem viajar de avião, nem nos 7 dias a seguir ao parto. Se estás grávida, fala disso na consulta antes de comprares os bilhetes.
Outras perguntas frequentes

Jornalista especializado em apoios e subsídios. Português, licenciado em Jornalismo, trabalhou como redator na Europa Press e no El Español (Omicrono e El Androide Libre), onde assinava como Alex Branco. Escreve sobre apoios e prestações sociais no site irmão espanhol Tus Ayudas desde 2025 e agora também em As Tuas Ajudas, onde confirma cada valor e cada prazo em fontes oficiais: Diário da República, Segurança Social e IEFP.


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