O ordenado médio em Portugal foi de 1.835 € brutos por mês no trimestre terminado em junho de 2026, segundo o INE, mas esse valor junta os subsídios pagos no trimestre: o salário base médio ficou nos 1.342 €. Saber estes números ajuda-te a avaliar uma proposta de emprego e a perceber se a tua família ainda cabe nos limites de apoios como o abono. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o que mede cada valor, como compara com o salário mínimo e que apoios podes ter com um salário perto da média.
Índice
Qual é o ordenado médio em Portugal em 2026
Segundo o INE, a remuneração bruta total mensal média por trabalhador foi de 1.835 € no trimestre terminado em junho de 2026. É mais 5,1 % do que um ano antes e, descontada a inflação, um aumento real de 1,8 %. O INE conta postos de trabalho e não pessoas: quem tem dois empregos entra duas vezes nas contas.
É este o número que aparece como «salário médio» nas notícias. Mas o INE calcula três valores, e cada um junta coisas diferentes, por isso convém saber qual comparas com o teu recibo de vencimento.
A tabela mostra os três, em euros brutos por mês, para o país inteiro:
Indicador do INE
Valor no trimestre terminado em junho de 2026
O que inclui
Remuneração base média
1.342 €
O salário pago pelo tempo de trabalho, antes de descontos
Remuneração regular média
1.436 €
A base mais as componentes pagas com regularidade, como o subsídio de alimentação
Remuneração total média
1.835 €
Todas as componentes, incluindo os subsídios de férias e de Natal
A diferença entre a base e a total é de quase 500 €, e não quer dizer que um trabalhador médio receba 1.835 € todos os meses. Para te comparares, o mais justo é usar o salário base do contrato ou, se recebes componentes fixas todos os meses, o valor regular.
Salário base, regular e total: o que entra em cada valor
A remuneração base é o montante pago com regularidade pelo tempo de trabalho, antes de qualquer desconto. Na prática, é o salário que está escrito no teu contrato.
A remuneração regular soma à base as componentes pagas com regularidade, como o subsídio de alimentação, as diuturnidades e os prémios mensais. Fica de fora o que só se paga em alguns meses.
A remuneração total inclui todas as componentes, também o subsídio de férias e o subsídio de Natal. Por isso é mais alta nos trimestres que terminam em junho e em dezembro, quando muitos trabalhadores recebem esses subsídios.
Do bruto ao líquido
Todos estes valores são brutos. Ao teu salário descontam-se 11 % para a Segurança Social, a cargo do trabalhador, e a retenção na fonte de IRS, calculada com a tabela de retenção que corresponde à tua situação familiar.
Para saberes quanto te fica na conta, põe o teu valor bruto no simulador de salário líquido. O resultado varia com o estado civil e com o número de dependentes, por isso dois salários brutos iguais podem dar líquidos diferentes.
Salário médio e salário mínimo: como comparas o teu
O salário mínimo nacional é de 920 € por mês em 2026 no continente, contra 870 € em 2025. Nos Açores é de 966 € e na Madeira de 980 €.
O salário base médio do trimestre terminado em junho de 2026 (1.342 €) fica cerca de 46 % acima do salário mínimo do continente. Para 2027, o acordo de concertação social prevê um salário mínimo de 970 €, valor que ainda tem de ser fixado por diploma legal.
Como te comparar com a média
Usa o salário base do teu recibo e compara-o com os 1.342 €. Se recebes subsídio de alimentação ou outras componentes todos os meses, soma-as e compara com os 1.436 €. Os 1.835 € não servem para comparar um mês normal, porque incluem subsídios pagos só em alguns meses. A média do INE inclui também quem trabalha a tempo parcial.
Com o salário médio, que apoios ainda podes ter
Ganhar perto da média não te tira dos apoios só por isso. Os limites de rendimento dos apoios sociais medem-se pelo indexante dos apoios sociais (IAS), que vale 537,13 € em 2026, e não pelo salário médio. No abono de família, conta ainda quantos filhos com direito ao abono há no agregado.
Abono de família
O escalão do abono de família resulta do rendimento de referência: somam-se os rendimentos anuais do agregado e divide-se o total pelo número de crianças e jovens com direito ao abono, mais um.
Nos pedidos novos feitos em 2026, que usam rendimentos e IAS de 2025 (522,50 €), o 3.º escalão vai de mais de 7.315,00 € até 12.435,50 € de rendimento de referência por ano, e o 4.º escalão de mais de 12.435,50 € até 18.287,50 €. Num exemplo meramente ilustrativo, imagina um salário de 1.400 € brutos por mês, perto da remuneração regular média, pago 14 vezes por ano: são 19.600 € anuais.
Um casal em que os dois ganham esse valor e que tem dois filhos soma 39.200 €. Dividido por 3 (dois filhos mais um), dá um rendimento de referência de cerca de 13.067 €, dentro do 4.º escalão. Neste escalão, o abono só é pago a crianças com menos de 72 meses (6 anos).
Uma família monoparental com um filho e o mesmo salário fica com 19.600 € ÷ 2 = 9.800 €, dentro do 3.º escalão.
💰 Com um ordenado perto da média, cabes num destes escalões? Descobre que outros apoios para a tua família podem estar disponíveis 🔍✨
As contas são orientativas. Quem apura o escalão é a Segurança Social, com todos os rendimentos do agregado e não só os salários, e o património do agregado também tem um limite.
IRS Jovem
Se tens até 35 anos e cumpres os restantes requisitos do regime, o IRS Jovem isenta de IRS parte dos rendimentos do trabalho. A percentagem depende do ano: 100 % no 1.º ano, 75 % do 2.º ao 4.º, 50 % do 5.º ao 7.º e 25 % do 8.º ao 10.º.
O rendimento isento tem um teto de 55 vezes o IAS: 28.737,50 € nos rendimentos de 2025 e 29.542,15 € nos de 2026. Com o salário do exemplo (19.600 € por ano), ficas abaixo desse teto.
A isenção é só de IRS: os 11 % para a Segurança Social continuam a ser descontados. Depois do 10.º ano, o rendimento passa a ser tributado pelos escalões de IRS normais.
Salário médio por setor, no público e no privado
A média nacional esconde diferenças grandes entre atividades. No trimestre terminado em junho de 2026, a remuneração total média mais baixa foi a da agricultura, floresta e pesca, com 1.180 €. A mais alta foi a da produção e distribuição de eletricidade, gás, vapor e ar condicionado, com 3.896 €.
Entre o público e o privado, as remunerações cresceram a ritmos diferentes face ao mesmo trimestre de 2025: 3,7 % nas administrações públicas e 5,5 % no setor privado. Na função pública, os aumentos seguem as atualizações acordadas com o Governo, que acompanhamos no guia do aumento da função pública.
No privado, as tabelas salariais de muitas profissões estão fixadas no contrato coletivo de trabalho do setor. Se queres saber se o teu salário está alinhado com a tua área, é aí que encontras o mínimo da tua categoria, que pode ser mais alto do que o salário mínimo nacional.
Portugal face à média da União Europeia
Segundo o Eurostat, o salário médio anual ajustado a tempo inteiro foi de 24.818 € em Portugal em 2024. A média da União Europeia foi de 39.800 € e a de Espanha de 33.700 €.
Entre os países com dados, Portugal foi o 10.º com o salário médio anual mais baixo da União Europeia. Este valor é anual e ajustado a tempo inteiro, por isso não se compara diretamente com o valor mensal do INE.
Para a empresa, um trabalhador custa mais do que o salário bruto, porque a entidade empregadora paga 23,75 % para a Segurança Social por cima do salário, como explicamos no guia do custo de um trabalhador para a empresa.
Outras perguntas frequentes
📅Com que frequência sai o valor do salário médio?
O INE divulga a remuneração média por trabalhador todos os trimestres. Os números saem das declarações de remunerações entregues à Segurança Social e à Caixa Geral de Aposentações, por isso dizem respeito a quem trabalha por conta de outrem.
⚖️Salário médio e salário mediano são a mesma coisa?
Não. O salário médio soma o que todos recebem e divide pelo número de trabalhadores. O mediano é o valor do meio: metade ganha menos e metade ganha mais. Os números trimestrais do INE que usamos aqui são médias.
👥Quem trabalha a tempo parcial entra nas contas?
Sim. O indicador do INE junta salários a tempo completo e a tempo parcial, por isso mistura horários muito diferentes. Se trabalhas a tempo inteiro, tem isso em conta quando comparas o teu salário base com os 1.342 €.
🧑💼Os trabalhadores independentes entram no salário médio?
Não. A remuneração média do INE é calculada com as declarações que as entidades empregadoras entregam à Segurança Social e à Caixa Geral de Aposentações, por isso cobre os trabalhadores por conta de outrem e deixa de fora quem passa recibos verdes.
Jornalista especializado em apoios e subsídios. Português, licenciado em Jornalismo, trabalhou como redator na Europa Press e no El Español (Omicrono e El Androide Libre), onde assinava como Alex Branco. Escreve sobre apoios e prestações sociais no site irmão espanhol Tus Ayudas desde 2025 e agora também em As Tuas Ajudas, onde confirma cada valor e cada prazo em fontes oficiais: Diário da República, Segurança Social e IEFP.
Partilhe este artigo com quem precise de ler isto: