IAS 2027: como se calcula, quanto vale em 2026 e quando se conhece

9 Outubro 2026 por Catarina Girão - 9 minutos de leitura

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casal a fazer contas sobre o seu rendimento familiar

O Indexante dos Apoios Sociais (IAS) é o valor de referência que a Segurança Social e as Finanças usam para calcular vários apoios, limites de rendimento e contribuições. Em 2026, o IAS vale 537,13 €, e o valor do IAS 2027 só fica definido no final do ano ou no início do ano seguinte, depois de conhecidos os dados da inflação e do crescimento da economia. É um dos conceitos base para perceber os apoios sociais em Portugal. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o que é o IAS, como se calcula, quanto subiu em 2026, quando se conhece o de 2027 e onde mexe no teu rendimento.

O que é o IAS (Indexante dos Apoios Sociais)?

O Indexante dos Apoios Sociais (IAS) é um valor de referência criado por lei no fim de 2006 e aplicado desde 1 de janeiro de 2007. A Segurança Social usa-o para calcular e atribuir muitos apoios, e o primeiro valor, o de 2007, foi fixado a partir do salário mínimo de 2006, atualizado pela inflação.

Na prática, o IAS não é um apoio que se receba. É uma unidade de medida: muitas regras dizem «até 1,5 vezes o IAS» ou «4 vezes o IAS», e o valor em euros muda todos os anos com ele. Por isso, serve para avaliar se uma pessoa ou um agregado familiar cumpre as condições de acesso a certos apoios, e também para fixar limites e escalões de várias prestações.

Qual é o valor do IAS em 2026?

Em 2026, o IAS é de 537,13 € por mês. O valor foi fixado por uma portaria do Governo publicada a 30 de dezembro de 2025, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2026.

Em 2025, o IAS era de 522,50 €, pelo que em 2026 subiu 14,63 €, uma atualização de 2,80 %. A tabela mostra a evolução do IAS nos últimos anos, em euros por mês:

Valor do IAS

202120222023202420252026
438,81 €443,20 €480,43 €509,26 €522,50 €537,13 €

Os valores da tabela são os que se aplicaram a 1 de janeiro de cada ano. Como muitas regras usam múltiplos do IAS, os limites em euros sobem na mesma proporção. Estes são os múltiplos mais usados em 2026:

Múltiplo do IASValor em 2026Onde se usa
1 × IAS537,13 €Valor de referência base
1,15 × IAS617,70 €Mínimo do subsídio de desemprego (com condições)
1,5 × IAS805,70 €Isenção de taxas moderadoras por insuficiência económica
4 × IAS2.148,52 €Dispensa de contribuições de alguns trabalhadores independentes
12 × IAS6.445,56 €Base máxima de contribuições dos trabalhadores independentes

Cada uma destas regras tem condições próprias, que explicamos mais abaixo. Os valores em euros desta tabela só servem para 2026: como são múltiplos do IAS, mudam em 2027 com o novo valor.

Como se calcula o IAS?

O IAS é atualizado todos os anos com base em dois indicadores: a inflação, medida pelo índice de preços no consumidor (IPC), e o crescimento real do PIB, ou seja, da economia do país. A inflação usada é a variação média dos últimos 12 meses do IPC sem habitação disponível em dezembro do ano anterior. Se esse dado ainda não estiver disponível quando a portaria é assinada, usa-se o disponível a 30 de novembro.

O crescimento do PIB que conta é a média dos últimos dois anos, terminados no 3.º trimestre do ano anterior à atualização. Se esse trimestre ainda não estiver disponível a 10 de dezembro, usa-se o trimestre anterior. Com estes dois dados, a lei define três cenários:

  • Se a média do crescimento real do PIB for igual ou superior a 3 %, o IAS sobe o valor da inflação mais 20 % da taxa de crescimento real do PIB;
  • Se for igual ou superior a 2 % e inferior a 3 %, o IAS sobe a inflação mais 20 % do crescimento do PIB, com um mínimo de 0,5 pontos percentuais acima da inflação;
  • Se for inferior a 2 %, o IAS sobe ao ritmo da inflação.

É a mesma regra que se aplica às pensões mais baixas, até 2 vezes o IAS. Por isso, o IAS e o aumento das pensões dependem dos mesmos dados da inflação e do PIB.

Quanto vai ser o IAS em 2027?

Neste momento, ainda não existe um valor oficial do IAS para 2027. A atualização depende de dados que só ficam fechados no fim de 2026, e o valor final é fixado por portaria do Governo, no final do ano ou no início do ano seguinte.

Também ainda não há dados oficiais finais da inflação e do PIB que permitam uma simulação fiável, por isso não avançamos nenhum valor para 2027. O que já se sabe é a fórmula e o calendário.

Calendário até ao valor oficial do IAS 2027

Até lá, estes são os passos que costumam decidir o novo valor:

  • Até 10 de outubro, o Governo entrega no parlamento a proposta de Orçamento do Estado para 2027, que pode trazer indicações, mas não fixa o IAS.
  • Entre o fim de novembro e o início de dezembro, o INE costuma publicar as contas nacionais do 3.º trimestre, que fecham o crescimento do PIB usado na fórmula (a lei considera o dado disponível até 10 de dezembro).
  • Em dezembro, o INE publica o IPC de novembro, que fecha a inflação média usada na fórmula.
  • Por fim, o Governo publica a portaria com o novo IAS. A de 2026 saiu a 30 de dezembro de 2025, com efeitos a 1 de janeiro; a de 2025 só foi publicada a 6 de janeiro de 2025.
Importante
Os valores do IAS 2027 que circulem antes da portaria são estimativas: ainda faltam os dados finais da inflação e do crescimento económico. O valor que conta é o que for publicado pelo Governo.

Quando o novo IAS for publicado, os limites em euros que dependem dele mudam também a partir de janeiro. Se recebes uma prestação ou pagas contribuições calculadas com base no IAS, vale a pena confirmar o teu caso no início de 2027. Entretanto, o resumo do que mudou no salário mínimo e nas pensões em 2026 ajuda a perceber o ponto de partida.

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Onde é que o IAS mexe no teu rendimento?

O IAS tem um papel central nos apoios sociais em Portugal. Influencia o valor de várias prestações e também quem pode recebê-las. Além disso, mexe em obrigações fiscais e contributivas, como os descontos dos trabalhadores independentes e o IRS.

Estes são alguns exemplos de apoios e regras da Segurança Social influenciados pelo IAS:

Subsídio de desemprego mínimo

Desde 2021, com o Orçamento do Estado desse ano, o subsídio de desemprego não pode ser inferior a 1,15 vezes o IAS quando as remunerações usadas no cálculo são, pelo menos, iguais ao salário mínimo. Em 2026, esse mínimo é de 617,70 € por mês.

Mínimo de existência no IRS

O IAS também ajuda a definir o mínimo de existência, o patamar de rendimento que fica protegido do IRS. Corresponde ao maior de dois valores: 12.880 € ou 1,5 × 14 × IAS. Em 2026, a segunda conta dá 11.279,73 €, por isso o valor que se aplica é de 12.880 € por ano.

O IAS serve ainda de limite no IRS Jovem, cuja isenção tem um teto anual de 55 vezes o IAS. As restantes condições estão no guia do IRS Jovem.

Saúde e bolsas de estudo

Nas taxas moderadoras, a isenção por insuficiência económica aplica-se a quem tem um rendimento, calculado nos termos da lei, até 1,5 vezes o IAS. As bolsas do ensino superior também usam o IAS nas suas regras; os outros apoios ao estudo estão no guia de bolsas de estudo.

Como é que o IAS afeta os trabalhadores independentes?

No caso dos trabalhadores independentes, as contribuições calculam-se sobre o rendimento relevante: a base mensal corresponde a um terço do rendimento relevante apurado em cada período declarativo. O IAS entra como limite dessa base:

  • A base máxima é de 12 vezes o IAS, ou seja, 6.445,56 € em 2026;
  • A base mínima de 1,5 vezes o IAS (805,70 €) só se aplica a quem é tributado com base no lucro tributável.

Quando existe dispensa de contribuições em 2026

Quem acumula atividade independente com trabalho por conta de outrem pode ficar dispensado de contribuir como independente, se o rendimento relevante médio mensal for inferior a 4 vezes o IAS. Em 2026, esse limite é de 2.148,52 € (4 × 537,13 €). Para isso, têm de se verificar ao mesmo tempo estas condições:

  • A atividade independente e o trabalho por conta de outrem são prestados a entidades distintas;
  • O trabalho por conta de outrem está enquadrado noutro regime de proteção social obrigatório;
  • A remuneração mensal média do trabalho por conta de outrem é de, pelo menos, 1 IAS (537,13 €).
Se o rendimento relevante for igual ou superior a 4 vezes o IAS, não há dispensa, mas as contribuições incidem apenas sobre a parte que excede esse valor.

Se estás a começar ou tens rendimentos irregulares, vê também os apoios para trabalhadores independentes e confirma na Segurança Social Direta a base de incidência que te foi fixada.

Outras perguntas frequentes

Redatora especializada em apoios locais e conceitos administrativos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre apoios e serviços do dia a dia até 2025.

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