Uma casa devoluta é uma casa que está desocupada há pelo menos um ano, e essa classificação faz subir o IMI: a taxa passa para o triplo e, nas zonas de pressão urbanística, pode chegar a vinte vezes a taxa normal. É um problema frequente em casas herdadas ou fechadas à espera de venda, e toca diretamente nas contas da habitação. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te quando uma casa é considerada devoluta, quanto pagas a mais, como a câmara a classifica e como sais dessa situação.
Índice
O que é uma casa devoluta
Para efeitos de impostos, uma casa (ou qualquer prédio urbano ou fração autónoma) é considerada devoluta quando está desocupada durante um ano. Não é preciso estar em mau estado: uma casa em perfeitas condições, mas fechada, pode ser classificada como devoluta.
Para saber se a casa está ocupada, a lei olha para dois sinais: a falta de contratos de água, gás, eletricidade e telecomunicações e a falta de faturação desses consumos. A lei não fixa um consumo mínimo em metros cúbicos ou em kWh, por isso é a situação concreta de cada casa que conta. Se tens uma casa sem ninguém a viver, manter os contratos de fornecimento ativos é uma das formas de provar que ela não está abandonada. Numa casa herdada, isso passa muitas vezes por mudar o contrato de luz para o teu nome.
Quando só uma parte do prédio está desocupada, fala-se de um prédio parcialmente devoluto. Nesse caso, se o prédio não estiver em propriedade horizontal, o agravamento do imposto incide apenas sobre a parte que está vazia.
Quando uma casa desocupada não é considerada devoluta
Uma casa vazia durante um ano não é automaticamente devoluta. A lei prevê várias exceções para situações em que é normal a casa estar fechada durante longos períodos, e nesses casos o IMI não é agravado mesmo que não haja consumos.
Não é considerada devoluta a casa que:
se destina a habitação por curtos períodos, em praia, campo, termas ou outros lugares de férias, seja para arrendar temporariamente ou para uso próprio;
está em obras de reabilitação, durante o tempo das obras, desde que certificadas pelo município;
foi comprada para revenda, com isenção de IMT, durante o primeiro ano a contar da compra;
é a residência em Portugal de um emigrante português;
é a residência em Portugal de um cidadão português que exerce funções públicas no estrangeiro, bem como dos familiares que o acompanham.
Se a tua casa se enquadra numa destas situações, é isso que tens de mostrar ao município se ele avançar com a classificação. Uma casa de férias ou de um emigrante pode passar grande parte do ano fechada sem que isso signifique abandono.
Atenção
A lista acima não esgota todas as situações previstas na lei. Se a tua casa está vazia por uma razão que não aparece aqui, confirma junto da câmara municipal se o teu caso pode ser considerado antes de a classificação avançar.
Quanto sobe o IMI de uma casa devoluta
O IMI de uma casa normal resulta de aplicar ao valor patrimonial a taxa que o teu município fixa todos os anos, entre 0,3 % e 0,45 %. Quando a casa é classificada como devoluta há mais de um ano, ou quando está em ruínas por razões que não são um desastre natural ou uma calamidade, essa taxa é elevada ao triplo, todos os anos, enquanto a situação se mantiver.
Zonas de pressão urbanística: o agravamento mais pesado
A subida é muito maior nas zonas de pressão urbanística, que são as áreas onde há falta de casas ou os preços estão acima do que a maioria das famílias consegue pagar. Cada município define as suas. Aí, o triplo é substituído por um agravamento mais pesado, que se aplica também às ruínas e aos terrenos para construção com uso habitacional:
Situação
Taxa de IMI aplicada
Casa ocupada ou arrendada
Taxa normal do município (0,3 % a 0,45 %)
Casa devoluta ou em ruínas
Triplo da taxa normal, todos os anos
Casa devoluta ou em ruínas em zona de pressão urbanística
Dez vezes a taxa normal no primeiro ano, mais 20 % em cada ano seguinte, até 20 vezes
Num exemplo meramente ilustrativo, uma casa com uma taxa municipal de 0,3 % passa a pagar à taxa de 0,9 % se for declarada devoluta, e de 3 % no primeiro ano se estiver numa zona de pressão urbanística. Nessas zonas, a assembleia municipal pode ainda aumentar o limite de 20 vezes em 50 %, quando a casa se destina a habitação e não está arrendada nem é habitação própria e permanente, ou em 100 %, quando o dono é uma empresa.
Casa devoluta e isenção de IMI
Importante
Numa casa devoluta não há isenção de IMI que valha: o que existe é agravamento. Não confundas este agravamento com outra subida que os municípios podem decidir nas zonas de pressão urbanística, de até 25 %, para casas de habitação que não estão arrendadas nem são habitação própria, mesmo que não sejam devolutas.
Se procuras formas de pagar menos, o guia sobre a isenção de IMI explica quem tem direito a ela. Se tens vários imóveis de valor elevado, pode também aplicar-se o AIMI, que é um imposto diferente.
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A identificação das casas devolutas cabe aos municípios. A classificação não é automática nem decidida pelas Finanças: o município tem de seguir um procedimento e ouvir o dono antes de decidir.
O caminho é este:
O município envia ao dono da casa, para o domicílio fiscal, o projeto de declaração de prédio devoluto.
O dono pode responder na audição prévia, dentro do prazo indicado na notificação, e apresentar as suas razões e provas.
O município decide e notifica a decisão.
O município comunica às Finanças as casas devolutas até 31 de dezembro, para o agravamento se aplicar no IMI do ano seguinte, e divulga a lista no seu site e no boletim municipal, quando existe.
Se discordares da decisão final, podes impugná-la em tribunal, nos tribunais administrativos. Antes disso, a fase mais importante é a audição prévia, porque é aí que podes evitar a classificação sem custos.
Responde sempre à notificação
Não deixes passar o prazo da audição prévia. Junta faturas de água, luz ou gás, o contrato de arrendamento, a prova de obras em curso ou o documento que mostre que és emigrante, conforme o teu caso. Uma resposta com provas concretas é a forma mais simples de travar a classificação.
Se a casa está em ruínas ou muito degradada, o município tem ainda outros poderes, independentes desta classificação, como notificar-te para fazeres obras de conservação. Antes de avançares com obras, o guia sobre o Simplex urbanístico ajuda-te a perceber quais podes fazer sem licença.
Como deixar de pagar o IMI agravado
A classificação de devoluta existe enquanto a casa estiver desocupada. Para deixar de pagar o agravamento, tens de mudar essa situação e conseguir prová-la. As saídas mais comuns são quatro:
Voltar a ocupar a casa, tu ou alguém da família, com os contratos de água, luz e gás ativos e consumos reais.
Fazer obras de reabilitação certificadas pelo município, que suspendem a classificação durante as obras. Há apoios para recuperação de casas antigas que podem ajudar a pagá-las.
Vender a casa. O guia para vender casa mostra os passos e os documentos.
Se optares por arrendar, podes também avaliar o arrendamento acessível, que tem vantagens fiscais para quem arrenda a preços controlados. Não é um programa pensado só para casas devolutas, mas pode tornar o arrendamento mais interessante.
A lei não prevê uma saída automática da lista de casas devolutas. Quando a casa voltar a estar ocupada ou arrendada, pede ao município, por escrito e com provas, que retire a classificação, para que ela não seja comunicada outra vez às Finanças no fim do ano.
Casas herdadas: o caso mais comum
Muitas casas devolutas são casas herdadas que ficam fechadas enquanto os herdeiros não decidem o que fazer com elas. Durante esse tempo, a casa continua a pagar IMI e, se ficar mais de um ano sem ninguém, pode ser classificada como devoluta e passar a pagar a taxa agravada.
Se ainda não fizeram as partilhas, a casa faz parte de uma herança indivisa, e a decisão de a arrendar, vender ou ocupar tem de ser tomada entre todos. Os guias sobre o que fazer quando recebes uma herança e sobre a partilha de herança entre irmãos ajudam a desbloquear a situação antes que o IMI agravado se acumule.
A câmara pode obrigar-te a arrendar a casa?
Não. O programa Mais Habitação, em vigor desde outubro de 2023, criou o chamado arrendamento forçado: as câmaras podiam propor arrendar casas classificadas como devolutas há mais de dois anos, fora dos territórios do interior, e, se o dono recusasse ou não respondesse em 90 dias, avançar com o arrendamento.
Esta regra foi revogada em julho de 2024, e desde então a câmara já não pode arrendar a tua casa contra a tua vontade. A classificação de devoluta e o agravamento do IMI continuam a existir, mas deixaram de ter essa consequência.
Outras perguntas frequentes
🏚️O que é uma casa devoluta?
É uma casa, ou fração autónoma, que está desocupada durante um ano. A lei olha para a falta de contratos de água, luz, gás e telecomunicações ou para a falta de faturação desses consumos. A casa não precisa de estar em mau estado para ser classificada assim.
💶Quanto sobe o IMI de uma casa devoluta?
A taxa de IMI passa para o triplo, todos os anos. Nas zonas de pressão urbanística é dez vezes a taxa normal no primeiro ano, sobe 20 % em cada ano seguinte e pode chegar a vinte vezes.
🏖️Uma casa de férias pode ser considerada devoluta?
Não. As casas destinadas a habitação por curtos períodos, como casas de férias na praia, no campo ou nas termas, estão entre as exceções, tal como a residência de um emigrante português ou uma casa em obras de reabilitação certificadas.
🔑A câmara pode obrigar-me a arrendar uma casa devoluta?
Não. O arrendamento forçado criado pelo programa Mais Habitação foi revogado em julho de 2024. A classificação de devoluta e o agravamento do IMI continuam a existir.
Jornalista especializado em apoios e subsídios. Português, licenciado em Jornalismo, trabalhou como redator na Europa Press e no El Español (Omicrono e El Androide Libre), onde assinava como Alex Branco. Escreve sobre apoios e prestações sociais no site irmão espanhol Tus Ayudas desde 2025 e agora também em As Tuas Ajudas, onde confirma cada valor e cada prazo em fontes oficiais: Diário da República, Segurança Social e IEFP.
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