Em Portugal, existem vários apoios públicos para famílias e consumidores. No entanto, o Fundo Ambiental funciona de forma diferente: grande parte das verbas financia programas e entidades, e as candidaturas abertas diretamente a particulares são mais limitadas. Em outubro de 2026, a Botija de Gás Solidária é o apoio com pedidos a decorrer. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te quanto paga, quem a pode pedir, o que aconteceu à Mobilidade Verde e o que podes preparar para a próxima fase.
Índice
O que é o Fundo Ambiental e o que financia
O Fundo Ambiental foi criado em 2016. É um património autónomo, sem personalidade jurídica, que financia políticas ambientais e climáticas. As suas áreas incluem os transportes, a mobilidade elétrica e a eficiência energética, onde entra por exemplo a etiqueta energética dos equipamentos. Também financia energias renováveis como os painéis solares, o autoconsumo e medidas para evitar o corte de energia.
Desde a criação da Agência para o Clima, a gestão do Fundo Ambiental cabe a esta entidade pública. Em 2026, o orçamento previsto é de 1.249.033.996 €, mas grande parte das verbas financia municípios, organismos públicos, empresas e operadores.
Por isso, nem todos os montantes correspondem a candidaturas abertas às famílias, e convém não confundir o Fundo Ambiental com o conjunto dos apoios do Governo em 2026.
Importante
Em outubro de 2026, entre os apoios do Fundo Ambiental que identificámos, o único que uma família pode pedir diretamente é a Botija de Gás Solidária. A Mobilidade Verde encerrou a 27 de julho de 2026 e ainda não há uma nova fase publicada.
Que apoios chegam às famílias em 2026
Existem três formas principais de estas verbas chegarem às famílias, e cada uma funciona de maneira diferente. A Botija de Gás Solidária é pedida numa junta ou união de freguesias aderente e é a que tem pedidos a decorrer. A Mobilidade Verde exigia uma candidatura online e teve um prazo limitado, que já terminou.
Por fim, o Incentiva+TP financia medidas relacionadas com os passes de transporte público. Neste caso, o passageiro não apresenta qualquer candidatura ao Fundo Ambiental. As verbas são transferidas para as autoridades de transportes e depois ajudam a financiar descontos, gratuidades ou outras vantagens definidas em cada região.
Apoio
Como se obtém
Estado a 15 de outubro de 2026
Botija de Gás Solidária
Pedido numa junta ou união de freguesias aderente
Aberto até 31 de dezembro de 2026 ou até esgotar a dotação
Mobilidade Verde
Candidatura online na plataforma eFundos
Encerrado desde 27 de julho de 2026
Apoio aos passes de transporte
Aplicado através das autoridades de transportes
Sem candidatura individual
A ordem da tabela não é casual: se procuras um apoio que possas pedir hoje, começa pela primeira linha. As outras duas continuam a interessar-te, mas por motivos diferentes. Para perceberes que descontos nos transportes podem aplicar-se ao teu caso, consulta as condições do Passe Social+.
Botija de gás: o apoio para consumidores vulneráveis
A Botija de Gás Solidária funciona como um reembolso por cada garrafa de gás de petróleo liquefeito (GPL) comprada. Entre os apoios do Fundo Ambiental para particulares, é o que tem pedidos a decorrer neste momento. Não exclui a tarifa social de energia, soma-se a ela, e o período de pagamento vai até 31 de dezembro de 2026 ou até se esgotar a dotação.
Quem pode pedir a Botija de Gás Solidária
Há um requisito de base e depois uma de duas condições. O requisito de base é seres consumidor doméstico com contrato de fornecimento de eletricidade: quem se candidata é o titular desse contrato. Cumprido isso, tens de estar num destes dois casos:
Teres no teu agregado familiar alguém que receba uma destas seis prestações sociais mínimas: complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção, pensão social de invalidez do regime especial de proteção na invalidez, complemento da prestação social para a inclusão, pensão social de velhice ou subsídio social de desemprego.
Se já és beneficiário da tarifa social de energia elétrica, cumpres logo uma das duas condições. As duas condições não se excluem: a tarifa social é uma das portas de entrada para este apoio, não um impedimento.
Quanto paga e até quando
Desde a entrada em vigor do regime excecional, no final de março de 2026, a Botija de Gás Solidária paga 25 € por garrafa. O valor-base do regulamento é de 15 € por botija: os 25 € são um aumento temporário que o Governo foi prolongando e que se mantém até 31 de dezembro de 2026. Mantém-se o limite de duas botijas por mês e doze por ano.
O programa dura até 31 de dezembro ou até ao esgotamento da dotação, que foi reforçada em 2.875.980 € em julho de 2026 e outra vez em outubro, por resolução do Conselho de Ministros, que a eleva para um total de 5.745.596 € em 2026.
Se compraste garrafas este ano e ainda não pediste o reembolso, confirma na tua junta se ainda o podes pedir e que valor se aplica à data da compra.
Onde se entrega o pedido
O pedido não é apresentado online no Fundo Ambiental. Entrega-se numa junta ou união de freguesias aderente, presencialmente ou por email, consoante o que cada uma disponibilize.
Existe uma lista oficial de freguesias aderentes no portal que o Fundo Ambiental gere com a ANAFRE e, se a tua freguesia não for aderente, podes deslocar-te à aderente mais próxima. Se não puderes ir, podes fazer-te representar por outra pessoa, com uma declaração de consentimento.
As condições, os documentos e o procedimento completo estão explicados no guia da Bilha Solidária, que é como este apoio também é conhecido. O pagamento pode ser feito em numerário, por transferência bancária ou por cheque, consoante a freguesia.
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A segunda fase do incentivo à compra de veículos de emissões nulas esteve aberta entre 11 de junho e as 17h59 de 27 de julho de 2026 e já encerrou. Fechou na data prevista e o Fundo Ambiental não publicou qualquer aviso de esgotamento antecipado da dotação. Não há, para já, uma terceira fase publicada, e as condições que se seguem são as que vigoraram nessa segunda fase.
Interessam ainda a dois grupos: a quem já tem candidatura aprovada e precisa de saber que obrigações assumiu, e a quem quer preparar-se para uma eventual reabertura. Se voltar a abrir, confirma as regras no novo aviso; ter os documentos prontos ajuda-te a candidatar-te depressa.
Na segunda fase, cada tipologia tinha um número limitado de incentivos, pelo que a fase podia fechar antes da data-limite se os apoios se esgotassem.
Quanto dava cada tipologia
Os incentivos não se destinavam apenas à compra de automóveis. Também abrangiam, no mesmo aviso, bicicletas, motociclos, dispositivos elétricos e carregadores instalados em condomínios. Podes consultar as regras específicas dos incentivos à compra de carros elétricos e, para as restantes opções, os apoios para bicicletas. Se o custo de andar de carro é o que te está a pesar agora, vê também as medidas para os combustíveis em alta.
O que compras
Apoio
Ligeiro de passageiros novo e 100% elétrico
4.000 €
Bicicleta de carga convencional
50% do preço, até 1.000 €
Bicicleta de carga elétrica
50% do preço, até 1.500 €
Motociclo, ciclomotor, triciclo ou quadriciclo elétrico
50% do preço, até 1.500 €
Bicicleta elétrica citadina (não serve de desporto, cross, montanha ou com suspensão integral)
80% do preço, até 800 € pelo carregador e 1.000 € pela instalação
O que assumes ao aceitar o incentivo
Na segunda fase, podias acumular incentivos de tipologias diferentes, como um automóvel e uma bicicleta elétrica, mas uma pessoa singular só podia receber um incentivo por tipologia. O carregador em condomínio tinha regra própria: um carregador por condómino, até dez por condomínio.
Para quem já tem candidatura aprovada, há três meses a contar da aprovação para aceitar as condições e apresentar o pedido de pagamento, sob pena de perder o direito ao incentivo.
Depois de o receberes, ficas obrigado a manter a posse do bem durante pelo menos 24 meses e não podes exportar o veículo apoiado. Atenção a um pormenor que muda a conta: o texto do aviso conta esse prazo desde a data de aquisição do bem, mas a ficha do programa no portal refere a data de aprovação do incentivo. Se estiveres perto do limite, confirma o teu caso antes de vender.
Atenção
O aviso obriga-te a manter a posse do bem 24 meses e proíbe exportar o veículo, mas não fixa uma regra expressa de devolução do incentivo se venderes antes desse prazo. Em tudo o que não está previsto, remete para o Código do Procedimento Administrativo. Se precisares de vender antes dos 24 meses, contacta o Fundo Ambiental antes de o fazeres.
Acumular com apoios de outras entidades
A lei do Fundo Ambiental admite que os seus apoios sejam atribuídos a par de apoios de outras entidades, como um município. O aviso só proíbe a acumulação com outros apoios no incentivo destinado a instituições particulares de solidariedade social (IPSS), autoridades de transportes e autarquias; para pessoas singulares, não prevê essa proibição. Antes de contares com os dois, confirma na entidade que dá o outro apoio se ela impõe alguma restrição própria.
O carro elétrico exige o abate de outro veículo
Para receber os 4.000 €, não bastava comprar um automóvel elétrico elegível. Também era preciso apresentar o comprovativo de abate de uma viatura a combustíveis fósseis, e as condições desse abate eram quatro, não uma.
O veículo abatido tinha de ter mais de dez anos, o abate tinha de ter ocorrido depois de 1 de janeiro de 2023, o comprovativo tinha de estar passado em nome do candidato (não servia o do cônjuge nem o de um filho) e o veículo abatido tinha de ser da mesma categoria do comprado, ou seja, M1. Não havia período mínimo de permanência do carro velho na posse do candidato. Se voltar a abrir uma fase, confirma as quatro antes de te candidatares: na segunda fase, falhar uma invalidava o pedido.
Que documento é o comprovativo de abate
É o certificado de destruição que te entrega o centro de abate ou o operador de desmantelamento licenciado, e que essa entidade comunica ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). Não é a mesma coisa que um comprovativo de venda para sucata sem certificado, nem serve uma declaração do vendedor.
Preço máximo, datas e contratos aceites
O automóvel elétrico não podia ultrapassar 38.500 €, incluindo IVA e despesas, e o limite subia para 55.000 € nos veículos com mais de cinco lugares. Além disso, a fatura, o pagamento e a matrícula tinham de ser posteriores a 1 de janeiro de 2025 e estar em nome do candidato. Se estás a comparar custos de compra, vê também que veículos estão isentos de imposto sobre veículos.
O renting e o ALD não serviam
Também era aceite a locação financeira, desde que o contrato fosse posterior a 1 de janeiro de 2025 e tivesse uma duração mínima de 24 meses. Não eram aceites outras formas de locação, como o renting ou o aluguer de longa duração (ALD). Na locação financeira, era preciso também provar a posse do veículo, através do auto de entrega.
Há apoios para isolar a casa ou instalar painéis solares?
Não, neste momento. A 15 de outubro de 2026, não existe um aviso aberto do Fundo Ambiental para obras de eficiência energética em habitações particulares. Assim, não há candidaturas abertas para isolamento, janelas, bombas de calor ou painéis solares, e o portal do Fundo Ambiental ainda não indica a data de uma nova fase.
Os anteriores programas residenciais encontram-se encerrados, e convém distinguir as situações porque os prazos foram diferentes. A primeira fase do programa E-Lar fechou a 5 de outubro de 2025, depois de esgotar os 30 milhões de euros da dotação com cerca de 40 mil candidaturas em seis dias.
A segunda fase do E-Lar está encerrada a novas candidaturas desde 24 de março de 2026, por causa das negociações do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), embora os fornecedores possam submeter pedidos de pagamento até 30 de novembro de 2026. Já o Vale Eficiência II deixou de aceitar candidaturas de beneficiários a 31 de outubro de 2024, e os fornecedores tiveram até 31 de julho de 2025.
Há, ainda assim, uma novidade que interessa a quem ficou pelo caminho: o orçamento do Fundo Ambiental para 2026 criou um apoio para os candidatos elegíveis ao Vale Eficiência II que não obtiveram financiamento do PRR por esgotamento da dotação. Não abre candidaturas novas, mas se estavas nessa situação vale a pena acompanhar.
O que podes fazer enquanto não há aviso aberto
Enquanto não surgir um novo apoio, a poupança tem de vir de outro lado, e há duas medidas que não exigem obras nem investimento. A primeira é rever a potência contratada: se a casa paga um escalão acima do que precisa, baixá-lo pode descontar na fatura todos os meses. A segunda é confirmar se tens direito à tarifa social de energia, que desconta diretamente no preço e é a mesma porta de entrada da Botija de Gás Solidária.
A existência de programas encerrados no portal do Fundo Ambiental não significa que ainda seja possível apresentar uma candidatura: sem um novo aviso publicado, não há pedidos para estas intervenções.
Como e onde apresentar a candidatura
Os dois apoios seguem caminhos completamente diferentes. A Mobilidade Verde é digital e centralizada; a Botija de Gás Solidária é presencial ou por email, e tratada pela freguesia.
Mobilidade Verde: a plataforma eFundos
Não há neste momento nenhuma fase aberta, por isso o que se segue não é um passo a passo para hoje: é o percurso que existiu na segunda fase e que serve para preparares documentos caso saia um aviso novo.
A candidatura fazia-se na plataforma eFundos, o sistema de candidaturas do Fundo Ambiental, com entrada por Chave Móvel Digital ou conta de email e palavra-passe. Era preciso o NIF, o IBAN e ter a situação tributária e contributiva regularizada, além dos documentos específicos do veículo, da bicicleta ou do carregador.
Depois de submeter, guardava-se o comprovativo e a decisão chegava por email. Uma vez aprovada, havia três meses para concluir o pedido de pagamento.
Botija de Gás Solidária: a junta de freguesia
Para a Botija de Gás Solidária o caminho é o oposto: tratas tudo com a freguesia aderente. Falta a parte prática, o que levar. São três coisas:
A fatura ou o recibo da compra da garrafa, com o teu NIF e data de 2026.
O comprovativo da tua condição de elegibilidade, que é a fatura de eletricidade se és beneficiário da tarifa social, ou o comprovativo da prestação social nos outros casos.
O documento de identificação do titular do contrato de eletricidade, que é quem se candidata.
Aqui, o incumprimento das condições do regulamento, incluindo a apresentação de informação falsa, obriga expressamente à devolução do apoio concedido.
Se não cumpres as condições da Botija, não fica tudo por aqui: o Fundo Ambiental é uma peça de um conjunto maior, e o panorama dos subsídios disponíveis em 2026 mostra-te o que mais pode aplicar-se ao teu agregado.
Outras perguntas frequentes
🚗 Quanto dava o Fundo Ambiental para comprar um carro elétrico?
O incentivo era de 4.000 € para um automóvel ligeiro de passageiros novo e 100% elétrico, com abate de um carro a combustíveis fósseis com mais de dez anos, e um preço máximo de 38.500 € (ou até 55.000 € nos veículos com mais de cinco lugares). As candidaturas decorreram até às 17h59 de 27 de julho de 2026 e o aviso está encerrado desde essa data.
♻️ É obrigatório abater um carro antigo para receber o apoio?
Sim. Tinhas de apresentar o comprovativo de abate de uma viatura a combustíveis fósseis com mais de dez anos. O veículo abatido tinha de estar em teu nome (não servia o do cônjuge nem o de um filho), ser da mesma categoria do carro comprado, ou seja M1, e o abate ter ocorrido depois de 1 de janeiro de 2023.
🔥 Quanto vale a Botija de Gás Solidária em 2026?
Desde março de 2026, a Botija de Gás Solidária paga 25 € por garrafa. É um aumento temporário face ao valor-base de 15 €, que o Governo prolongou até 31 de dezembro de 2026 ou até se esgotar a dotação. O limite continua a ser de duas garrafas por mês e doze por ano.
⚡ O programa E-Lar vai voltar a abrir?
Não, por agora. A 15 de outubro de 2026, não existe um aviso aberto do Fundo Ambiental para obras de eficiência energética em habitações particulares. A 2.ª fase do E-Lar está encerrada a novas candidaturas desde 24 de março de 2026 e os fornecedores podem submeter pedidos de pagamento até 30 de novembro de 2026.
Redator especializado em apoios económicos, com experiência em gestão de projetos. Foi redator em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre conceitos e apoios do dia a dia.
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