Em 2026, o Complemento Garantia para a Infância paga até 600 € por criança, seja qual for a idade, e é a Autoridade Tributária que o transfere automaticamente, sem teres de o pedir. É um dos apoios à família que não exige candidatura, mas é fácil confundi-lo com a Garantia para a Infância mensal, que é paga pela Segurança Social, tem limite de rendimento e obedece a regras próprias.
Índice
O que é a garantia para a infância?
A Garantia para a Infância é o nome de um pacote de medidas criado para reforçar o rendimento das famílias com filhos e baixos recursos. Não é uma prestação única: são três medidas diferentes, com entidades pagadoras diferentes, e convém não as confundir.
O ponto de partida é sempre o abono de família para crianças e jovens. Quem não recebe abono fica de fora da Garantia mensal e do Complemento, porque estas duas medidas funcionam como reforços que se somam a essa prestação de base paga pela Segurança Social.
Segundo a portaria que regula o Complemento, o pacote é composto por:
a criação de uma prestação que complementa o abono de família, paga mensalmente (a Garantia para a Infância mensal);
o aumento do abono de família das crianças e jovens com menos de 18 anos integrados no 1.º e no 2.º escalões;
a criação do Complemento Garantia para a Infância, um pagamento anual feito pelas Finanças.
Garantia para a Infância ou Complemento: não são a mesma coisa
Esta é a distinção mais importante de todo o artigo. A Garantia para a Infância mensal é uma prestação da Segurança Social, com limite de rendimento. O Complemento Garantia para a Infância é uma transferência anual da Autoridade Tributária e não tem qualquer limite de rendimento.
A diferença é prática, não teórica: uma família do 4.º escalão do abono não tem direito à prestação mensal, mas, se tiver uma criança até aos 6 anos (72 meses), idade até à qual o 4.º escalão ainda recebe abono, pode perfeitamente receber o Complemento. Se leres as duas como se fossem uma só, arriscas concluir que não tens direito a nada quando a lei não te exclui.
Garantia para a Infância mensal
Complemento Garantia para a Infância
Quem paga
Segurança Social
Autoridade Tributária
Periodicidade
Mensal, juntamente com o abono
Anual, uma única transferência
Idade
Menos de 18 anos
17 anos ou menos a 31 de dezembro do ano de referência
Limite de rendimento
Sim: 1.º escalão do abono, com rendimento de referência inferior a 2.495,37 € (para quem já recebe abono em 2026)
Não tem
Valor em 2026
Valor de referência de 1.528,00 € por ano
Diferença até 600 € por ano, por criança
É preciso pedir?
Não, é atribuída oficiosamente
Não, é automático
O valor de referência da Garantia mensal (1.528,00 € por ano) consta da portaria de atualização de fevereiro de 2026, que produz efeitos desde 1 de janeiro de 2026 e atualizou em 2,20 % o abono de família e a Garantia mensal. Os 600 € do Complemento vêm da lei e não são atualizados por essa portaria.
O que é o complemento garantia para a infância?
O Complemento Garantia para a Infância é um pagamento anual que a Autoridade Tributária faz às crianças e jovens que recebem abono de família e que, ao longo de um ano, não chegam a um valor de referência somando duas parcelas: o abono recebido e a dedução à coleta por dependente no IRS.
A conta é feita criança a criança, não por família. Cada dependente é avaliado em separado, pelo que numa mesma casa pode haver um filho com direito ao Complemento e outro sem.
Importante
O Complemento não acrescenta 600 € ao abono: aos 600 € retira-se a soma do abono com a dedução à coleta que a criança já teve nesse ano, e só a diferença é paga. Se o resultado for zero ou negativo, não há Complemento nesse ano.
Quem pode aceder a este apoio?
Como são duas prestações distintas, também as condições são duas. Vale a pena leres as duas listas, porque é frequente ter direito a uma e não à outra.
A regra que resume tudo: para a Garantia mensal contam o escalão e o rendimento do agregado; para o Complemento conta apenas o que a criança já recebeu nesse ano entre abono e dedução à coleta. São filtros de natureza diferente, e por isso é possível passar num e não no outro.
Quem tem direito ao Complemento Garantia para a Infância
Receber abono de família para crianças e jovens;
Ter 17 anos ou menos a 31 de dezembro do ano de referência, ou seja, do ano em que o abono foi pago;
Não chegar aos 600 € anuais somando o abono atribuído e a dedução à coleta por dependente.
Não há idade mínima. Na prática, as crianças com menos de três anos raramente recebem Complemento, porque o abono do 1.º escalão até aos 36 meses é de 190,98 € por mês em 2026 e ultrapassa largamente os 600 € por ano. Isso é uma consequência aritmética, não uma condição legal, e não exclui ninguém à partida.
Quem tem direito à Garantia para a Infância mensal
Ser titular do abono de família no 1.º escalão, com um rendimento de referência do agregado inferior a 2.495,37 € (para quem já recebe abono em 2026, com rendimentos de 2024);
Ter menos de 18 anos.
Esse limite corresponde a 0,35 x IAS x 14. Atenção ao ano do IAS: em 2026, para apurar o rendimento de referência de quem já recebe abono, contam os rendimentos de 2024 e o IAS que vigorava então, que era de 509,26 €. Para pedidos novos apresentados em 2026, o cálculo faz-se com os rendimentos de 2025. Se quiseres ver a conta passo a passo, explicamos como calcular o abono de família com exemplos.
Qual é o valor do complemento garantia para a infância em 2026?
O valor de referência é de 600 € por criança ou jovem, seja qual for a idade. Não é um valor que se receba por inteiro: o que a Autoridade Tributária transfere é a diferença que falta para lá chegar.
Ao Complemento pago em 2026 aplica-se esta conta: 600 € menos (abono de família pago em 2025 + dedução à coleta por dependente apurada na liquidação do IRS feita em 2025, relativa aos rendimentos de 2024).
Entregares a declaração pelo IRS automático não muda nada nesta conta: a dedução à coleta por dependente é apurada da mesma maneira. Se a conta der zero ou um valor negativo, não recebes nada nesse ano.
Vale a pena fazeres as contas antes de criares expectativas. No 1.º escalão, doze meses de abono de família já passam os 600 €, tanto até aos 36 meses (190,98 € por mês) como depois (75,13 € por mês, ou seja, 901,56 € por ano), pelo que, com abono o ano inteiro, não sobra Complemento.
A diferença pode existir quando o abono mensal é mais baixo, como no 4.º escalão entre os 36 e os 72 meses (44,77 € por mês, ou seja, 537,24 € por ano), ou quando só se recebeu abono durante parte do ano, por exemplo por causa de um nascimento, de uma atribuição tardia ou de uma suspensão. A única forma de saberes o teu caso é consultares o valor apurado no Portal das Finanças.
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Ainda circulam páginas que dizem que o valor é de 600 € até aos seis anos e de 492 € a partir dessa idade. Isso já não é verdade.
Os 492 € vinham de uma disposição transitória da portaria que regula o Complemento, e aplicavam-se apenas ao Complemento pago pela primeira vez no primeiro trimestre de 2023. A lei do Orçamento do Estado que criou a medida previa que o valor de referência fosse alcançado no prazo de dois anos, e foi: o valor de referência é hoje de 600 € para todas as idades. A fronteira dos seis anos deixou de existir.
Atenção
O folheto informativo da Autoridade Tributária sobre o Complemento descreve o cálculo com o valor único de 600 € e não menciona os 492 €. Se encontrares numa página dois valores diferentes consoante a idade (600 € e 492 €), é sinal de que descreve o regime do primeiro pagamento, em 2023.
Como é calculado o rendimento de referência?
Esta conta serve para o abono de família e para a Garantia para a Infância mensal. Não entra no cálculo do Complemento Garantia para a Infância, que não tem limite de rendimento.
Para calcular o rendimento de referência, somam-se os rendimentos anuais de todos os membros do agregado familiar e divide-se esse total pelo número de crianças e jovens com direito ao abono de família, mais um. É essa divisão que determina o escalão em que a família fica.
Por exemplo:
Se uma família tem rendimentos anuais de 6.000 € e dois dependentes a receber o abono de família, o rendimento de referência é de 2.000 €, ou seja, 6.000 € a dividir por três. Como 2.000 € fica abaixo dos 2.495,37 €, se as crianças tiverem mais de 36 meses a família pode ter direito à Garantia mensal.
Nas crianças até aos 36 meses, o abono do 1.º escalão (190,98 €) já ultrapassa o valor de referência mensal da Garantia (cerca de 127,33 €, ou seja, 1.528,00 € por ano), pelo que não sobra nada para pagar.
Atenção a um pormenor do cálculo da prestação mensal: o valor do abono considerado é o valor base, excluindo as majorações. Quem recebe a majoração das famílias monoparentais não a vê descontada da Garantia mensal.
Como pedir o complemento garantia para a infância?
Não se pede. O Complemento é atribuído de forma automática pela Autoridade Tributária, que calcula o montante e emite a ordem de pagamento sem qualquer requerimento da tua parte. Também não há documentos a entregar.
A única coisa que depende de ti são os dados bancários. Por lei, o Complemento é pago no primeiro trimestre do ano seguinte ao do pagamento do abono, por transferência bancária para o IBAN associado ao teu registo de contribuinte na AT. Se não tiveres nenhum IBAN associado, a AT usa o IBAN confirmado aquando da entrega da declaração de IRS relevante para o cálculo.
Se também não existir, tens de registar o IBAN no Portal das Finanças, na funcionalidade Alterar IBAN. Se a transferência falhar por o IBAN estar inválido ou em falta, a ordem de pagamento repete-se todos os meses durante os seis meses seguintes, com o IBAN que entretanto registares.
O Complemento de 2026, relativo ao abono pago em 2025, correspondia ao primeiro trimestre de 2026. Se ainda não o recebeste, confirma o estado do pagamento no Portal das Finanças.
Onde consultar o complemento garantia para a infância
A consulta faz-se no Portal das Finanças, com as tuas credenciais, as mesmas que usas para entregar a declaração de IRS. Pesquisa por «Complemento Garantia para a Infância» e abre a consulta.
Aí podes ver o valor apurado, o estado do pagamento e, se for o caso, o motivo pelo qual ficaste de fora. O estado do processamento aparece com uma de cinco indicações: aguarda pagamento, transferência emitida, transferência paga, aguarda confirmação de IBAN ou transferência rejeitada pelo banco. Se estiveres à espera do valor de um ano anterior, é aqui que confirmas o que aconteceu, sem teres de contactar ninguém.
Guarda partilhada: quem recebe o complemento?
A guarda conjunta, por si só, não retira o Complemento: o que muda é quem o recebe, e isso depende de haver ou não residência alternada.
Convém não misturar este apoio com a pensão de alimentos, que segue regras próprias e é fixada no acordo ou na sentença de regulação das responsabilidades parentais. São coisas independentes: o Complemento não desconta da pensão nem a pensão altera o Complemento.
Situação
Quem recebe
Guarda conjunta sem residência alternada e a criança integra o teu agregado
Recebes o valor por inteiro
Guarda conjunta sem residência alternada e a criança não integra o teu agregado
O valor vai para o outro progenitor
Guarda conjunta com residência alternada
O valor é repartido pelos dois
Pais casados ou unidos de facto com tributação conjunta no IRS
Pode ser pago a qualquer um dos dois
Um dos progenitores não residente ou falecido
Pago na totalidade ao progenitor residente ou sobrevivo
Estas regras são as da dedução por dependente no IRS, que a Autoridade Tributária aplica também ao Complemento: em guarda conjunta com residência alternada, o valor apurado é repartido por ambos os responsáveis parentais; sem residência alternada, é pago a quem tem o dependente no agregado.
Porque é que posso ficar de fora?
Não se trata de perder um direito adquirido, mas de o Complemento não chegar a ser atribuído nesse ano. Como a avaliação é anual, ficares de fora em 2026 não diz nada sobre 2027.
A Autoridade Tributária identifica estes motivos de exclusão:
A Segurança Social não comunicou o titular do abono à AT;
O dependente tinha mais de 17 anos a 31 de dezembro do ano de referência;
Somando o abono recebido e a dedução à coleta por dependente, já se chegou a 600 € ou mais;
Quem receberia o pagamento não é residente em território nacional, ou só o foi durante parte do ano;
O NIF de quem pediu o abono é inválido e não há outro NIF a quem fazer o pagamento.
Atenção ao calendário: a declaração de rendimentos relevante é a do ano anterior àquele em que o abono foi pago. Para o Complemento pago em 2026, conta a declaração dos rendimentos de 2024, e só as declarações em vigor na base de dados da AT a 31 de dezembro de 2025.
Com que apoios se pode acumular?
A portaria que regula o Complemento Garantia para a Infância não prevê regras de incompatibilidade com outras prestações. Por isso, podes recebê-lo juntamente com o abono e com a Garantia mensal.
Quanto à Garantia para a Infância mensal, há uma regra que convém conhecer: o seu montante não é considerado como rendimento para efeitos de condição de recursos noutras prestações. Ou seja, recebê-la não te faz perder nem reduzir o rendimento social de inserção nem outros apoios do subsistema de solidariedade.
Já não acumula com prestações como o subsídio de desemprego, o subsídio de doença, o subsídio parental inicial ou o subsídio para assistência a filho que a própria criança ou o próprio jovem titular do abono receba. O titular do abono é a criança ou o jovem, e não os pais.
Se tens filhos em idade escolar, confirma também a ação social escolar, que segue regras próprias e se articula com o escalão do abono.
Receber abono de família também te pode dar acesso à tarifa social de energia: na eletricidade conta o abono de qualquer escalão em que ainda haja abono (do 1.º ao 4.º; no 4.º escalão só até aos 72 meses). Essa condição é definida por legislação própria e não pelas regras da Garantia para a Infância.
Suspensão e cessação: quando se deixa de receber
O Complemento Garantia para a Infância não tem suspensão nem cessação, porque é uma avaliação feita ano a ano. Não teres direito num ano não te impede de o teres no seguinte.
A Garantia para a Infância mensal, sim, pode ser suspensa: acontece quando deixas de ser titular do abono ou quando o rendimento de referência passa o limite. A suspensão produz efeitos no mês seguinte àquele em que a Segurança Social toma conhecimento dos factos, e a boa notícia é que a retoma é oficiosa: quando as condições voltarem a verificar-se, não tens de pedir nada. A prestação cessa quando cessa o direito ao abono ou quando o jovem faz 18 anos.
Já o abono pode ser suspenso, entre outros motivos, por não se fazer a prova escolar dentro do prazo ou por não se comunicarem alterações do agregado. E há uma data a guardar: se fizeres a prova até 31 de dezembro, recebes também os valores em atraso; a partir de 1 de janeiro, sem justificação válida, perdes o direito a esses retroativos.
Não recebeste nada? O que podes fazer
Começa por consultar, no Portal das Finanças, o motivo da exclusão e o estado do pagamento.
Se o problema for o IBAN, regista-o quanto antes: enquanto a ordem de transferência se repetir, o pagamento segue para o IBAN novo. Se continuares a achar que a exclusão está errada, os canais da Autoridade Tributária são o e-balcão do Portal das Finanças, o atendimento telefónico através do número 217 206 707 nos dias úteis das 09:00 às 19:00, e o atendimento presencial num Serviço de Finanças, por marcação.
Se o erro estiver no abono e não no Complemento, o interlocutor é a Segurança Social: o pedido faz-se pelo canal e-Clic, escolhendo o evento de vida Parentalidade e Adoção e o assunto Abono de família para crianças e jovens. Vale a pena confirmares também se estás a receber tudo aquilo a que a tua família tem acesso, começando pelos apoios a famílias numerosas se for o teu caso.
Outras perguntas frequentes
💶Qual é o valor do Complemento Garantia para a Infância em 2026?
Recebes a diferença que falta para chegar aos 600 €, e não os 600 € inteiros. Quanto mais abono e dedução à coleta já tiveres nesse ano, menor é o Complemento, e se a soma chegar aos 600 € não há nada a pagar.
👶A partir de que idade se recebe o Complemento Garantia para a Infância?
Não há idade mínima definida na lei: a única fronteira é a de cima, 17 anos ou menos a 31 de dezembro do ano de referência. Na prática, os bebés raramente o recebem, porque o abono do 1.º escalão até aos 36 meses já ultrapassa os 600 € por ano.
🔍Onde posso consultar o Complemento Garantia para a Infância?
No Portal das Finanças, com as tuas credenciais: pesquisa por «Complemento Garantia para a Infância» e abre a consulta. Aí vês o valor apurado, o estado do pagamento e, se for o caso, o motivo pelo qual ficaste de fora.
👨👩👧Em guarda partilhada, quem recebe o Complemento?
Depende da residência. Com residência alternada, o valor é repartido pelos dois responsáveis parentais. Sem residência alternada, é pago a quem tem a criança integrada no seu agregado.
Redatora especializada em apoios locais e conceitos administrativos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre apoios e serviços do dia a dia até 2025.
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