Passe ferroviário verde 2026: o que é, como pedir e preços

3 Setembro 2026 por António Pereira - 10 minutos de leitura

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Comboio do Passe Ferroviário Verde da CP, que custa 20 € por 30 dias
Com o Passe Ferroviário Verde viajas 30 dias em quase toda a rede da CP por 20 €, incluindo Intercidades em 2.ª classe. Além desses 20 € precisas de um Cartão CP, que se paga à parte e pode demorar 10 dias úteis, e há regras de reserva que, se falhares, te deixam como passageiro sem título de transporte. Aqui tens os preços em vigor a 3 de setembro de 2026, onde o passe é válido e onde não é, como se reserva e se cancela, e o alargamento aos comboios urbanos de Lisboa e do Porto que o Governo anunciou para este mês.

O que é o passe ferroviário verde?

O Passe Ferroviário Verde é um título de transporte da CP criado pelo Decreto-Lei n.º 73/2024, em vigor desde 21 de outubro de 2024, para tornar o comboio uma alternativa de preço fixo ao carro. Destina-se a portugueses e estrangeiros residentes em Portugal e carrega-se num Cartão CP para períodos de 30, 60 ou 90 dias. Ao contrário do passe gratuito para jovens, não depende da tua idade nem do teu rendimento.

Não é um passe de mês civil. Os 30 dias contam-se de forma consecutiva a partir da data em que o compras, e podes comprá-lo em qualquer dia. Se o carregas a 18 de setembro, vale até 17 de outubro.

Quanto custa o passe ferroviário verde em 2026?

Os 20 € da modalidade de 30 dias estão fixados no artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 73/2024 e não subiram com a atualização tarifária da CP de janeiro de 2026. As modalidades de 60 e 90 dias fazem parte do tarifário comercial da CP e não constam do diploma. Se procuras um título mais barato por teres baixos rendimentos, o caminho é o Passe Social+.

Os preços por modalidade

ModalidadePreçoCusto diário
Passe Ferroviário Verde, 30 dias20 €cerca de 0,67 € por dia
Passe Ferroviário Verde, 60 dias40 €cerca de 0,67 € por dia
Passe Ferroviário Verde, 90 dias60 €cerca de 0,67 € por dia

Preços em vigor a 3 de setembro de 2026. Como vês, comprar 60 ou 90 dias de uma vez não sai mais barato por dia: a vantagem é só não teres de renovar.

O Cartão CP paga-se à parte

O passe carrega-se num Cartão CP, que é obrigatório e tem preço próprio:

  • 0,50 € na versão exclusivamente digital
  • 6 € na versão física mais digital
  • 3 € no perfil Jovem (Sub 18 e Sub 23) e no Cartão Dourado
  • Mais 2,50 € de portes se o quiseres receber em casa

E há prazo: o cartão físico é entregue no prazo máximo de 10 dias úteis numa estação à tua escolha ou enviado por correio. Se precisas do passe para a semana que vem, pede a versão digital.

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Em que comboios podes viajar?

O passe cobre quase toda a rede nacional da CP, e é aí que se distingue dos passes de estudante, limitados a uma área. Mas atenção, porque a cobertura não é igual em todos os serviços: nos comboios de longo curso vale em qualquer percurso, e nos urbanos apenas em troços concretos.

  • Intercidades, apenas em 2.ª classe e com reserva de lugar obrigatória e gratuita
  • Regionais e InterRegionais
  • Urbanos de Coimbra, em qualquer percurso
  • Urbanos de Lisboa, no percurso Carregado/Azambuja
  • Urbanos do Porto, nos percursos Vila das Aves/Guimarães, Paredes/Marco de Canaveses, Paramos/Aveiro e Lousado/Braga

Nos Regionais, InterRegionais e Intercidades podes viajar em toda a linha, mesmo partindo de Lisboa Santa Apolónia ou do Porto Campanhã. Nos urbanos, sair do troço indicado é viajar sem título válido. Podes confirmar a tua ligação no mapa da rede publicado pela CP, na versão de julho de 2026.

Importante
Nos Comboios Urbanos do Porto tens de apresentar ao agente de fiscalização o comprovativo de compra do passe quando te pedirem o título. Sem esse comprovativo podes ser tratado como passageiro sem título de transporte, mesmo tendo o passe carregado e válido.

Onde o passe não é válido

São estas as exclusões que costumam dar problemas no momento de embarcar:

  • Alfa Pendular, em qualquer classe
  • Intercidades em 1.ª classe
  • Comboios urbanos nos troços cobertos pelos passes intermodais Andante (Porto) e Navegante (Lisboa)
  • Fertagus, Celta (Porto-Vigo) e restantes comboios internacionais
  • Serviços turísticos e históricos, como o Comboio Presidencial ou o do Vouga

A limitação do Andante e do Navegante aplica-se apenas aos comboios urbanos. Não te impede de apanhar um Regional ou um Intercidades que saia dessas mesmas estações.

O alargamento aos urbanos de Lisboa e do Porto

A 21 de agosto de 2026, o Governo anunciou que o alargamento do passe aos serviços urbanos da CP de Lisboa e do Porto entra em funcionamento na terceira semana de setembro de 2026, mantendo os 20 € por 30 dias, e que mais tarde chegará também à linha da Fertagus. As exceções do Alfa Pendular e do Intercidades em 1.ª classe mantêm-se.

À data de publicação deste artigo, a CP ainda não publicou nem a data exata nem as novas condições de utilização, e não saiu qualquer diploma no Diário da República a alterar o Decreto-Lei n.º 73/2024. Até lá, valem as regras da lista acima.

A reserva nos Intercidades: as regras que mais falham

Os Intercidades são o serviço que mais compensa com este passe, e também o único com uma regra extra. A reserva de lugar é obrigatória e gratuita, e tem de ser feita nas 24 horas que antecedem a viagem, contando a hora de partida do comboio na estação de origem, mesmo que não seja essa a tua estação de embarque. Podes reservar na bilheteira online, na App CP, nas bilheteiras e nas máquinas de venda automática.

Duas regras que convivem e que se confundem muito: podes reservar duas viagens distintas por dia, mas só uma reserva para o mesmo comboio no mesmo dia. A reserva tem de corresponder ao trajeto que vais mesmo fazer e a viagem tem de acontecer dentro da validade do passe. Se a viagem for cancelada por uma greve, aplicam-se as condições gerais da CP, não estas.

Como cancelar uma reserva

A reserva não se troca para outro dia ou outra hora: o que podes fazer é anulá-la e reservar de novo. E há um prazo com consequência direta: se anulares até 15 minutos antes da partida do comboio da estação de origem, o lugar volta a ficar disponível para outros clientes e essa reserva não conta nas tuas duas reservas do dia.

Quem pode comprar o passe ferroviário verde?

As condições publicadas pela CP são apenas duas: ser português ou estrangeiro residente em Portugal e ter Cartão CP. Nem o Decreto-Lei n.º 73/2024 nem as condições de utilização da CP fixam qualquer limite de idade, e a CP não exige prova de profissão nem de rendimentos. Se vives nos Açores ou na Madeira, onde não há rede ferroviária, o apoio equivalente é o subsídio de mobilidade.

Há, no entanto, uma regra que decide muitos casos: o artigo 4.º do diploma diz que os 20 € não estão sujeitos a acumulação de descontos. Ou seja, o preço é o mesmo para todos. Se tens cartão jovem, Sub-23, família numerosa ou Cartão Dourado, não há rebaixa adicional sobre este passe. Nesses casos compensa comparar com o Passe Social+, que desconta sobre o preço do título e depende do rendimento. Se estudas na área de Lisboa, a alternativa é o Navegante Estudante.

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Onde comprar e carregar o passe

O carregamento faz-se no Cartão CP, através de três canais. Não há aqui lojas de operadores nem multibanco:

  • App CP, com o cartão CP digital, em Carteira, Cartões de mobilidade, Adquirir título
  • Bilheteiras CP
  • Máquinas de venda automática nas estações da Área Metropolitana de Lisboa
A bilheteira online do site da CP não carrega este passe: serve para reservar lugar nos Intercidades. Para carregar, é a App CP, a bilheteira ou a máquina.

O mesmo cartão serve depois para outros títulos da CP. Para pedir o Cartão CP tens duas vias: na Área de Cliente do site da CP, com Chave Móvel Digital, ou em qualquer bilheteira, onde para a versão digital tens de apresentar o Cartão de Cidadão. É o mesmo cartão que precisas para outros apoios à mobilidade.

O que te pode sair caro

Três situações em que tens o passe e ainda assim ficas exposto a uma coima:

  • Apanhar um Intercidades sem reserva válida
  • Viajar com o passe não carregado, mesmo tendo o Cartão CP
  • Não validar o título nos serviços urbanos de Lisboa e do Porto, onde a validação é obrigatória mesmo para títulos mensais

Estas coimas seguem o regime das contraordenações de transporte, não o das multas de trânsito. Nestes casos és considerado passageiro sem título de transporte, e isso não é um pagamento a bordo com sobretaxa: é uma contraordenação. Segundo as Condições Gerais de Transporte da CP, a coima vai de 250 € a 700 € nos comboios de longo curso e nos regionais e inter-regionais acima de 50 km, e de 120 € a 350 € nos percursos urbanos, regionais e inter-regionais até 50 km.

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Antes de carregares, há ainda uma condição do passe que convém saber de antemão.

Atenção
O passe não pode ser trocado nem reembolsado. Se o comboio for suprimido ou houver atraso por motivo imputável à CP, aplicam-se as condições gerais de reembolso e indemnização dos passes e assinaturas CP, que são um regime à parte.

Vale a pena o passe ferroviário verde?

A conta é simples: com 0,67 € por dia, o passe compensa a partir de duas ou três viagens regionais por mês, e muito antes disso, se fazes Intercidades. Se o que queres é conhecer o país e não deslocar-te todos os dias, compara antes com o ANDA Conhecer Portugal. Para quem se desloca todos os dias para estudar fora da cidade ou para trabalhar, o interesse não é só o preço: é a previsibilidade, porque o custo do transporte deixa de depender do número de viagens.

Do lado ambiental, cada deslocação que passa do carro para o comboio reduz emissões e tráfego, e é a mesma lógica dos apoios à mobilidade elétrica: e é esse o objetivo declarado no preâmbulo do Decreto-Lei n.º 73/2024. Se a tua alternativa é o carro, compara também com o que gastas em combustível; se é a bicicleta ou o trotinete, há apoios à compra de bicicletas e trotinetes que podes somar.

Outras perguntas frequentes

Redator especializado em apoios financeiros e IRS. Foi redator em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu guias sobre habitação, emprego e benefícios sociais até 2025.


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