Horário: 9:30h - 18:30h (segunda a sexta-feira). Serviço oferecido pela Selectra.
Se trabalhas por conta própria, o seguro de acidentes de trabalho é obrigatório, mesmo que também tenhas um emprego por conta de outrem ou não recebas rendimentos regulares. Só ficas dispensado se a tua produção se destinar apenas ao teu consumo e ao da tua família. É uma das obrigações do trabalhador independente que mais passa despercebida, e a falta de seguro dá coima. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te por que valor deves fazer o seguro, o que o seguro cobre e o que conta como acidente no teu caso.
Índice
O seguro de acidentes de trabalho é obrigatório para independentes?
Sim. O Decreto-Lei n.º 159/99 obriga os trabalhadores independentes a fazer este seguro. Com as devidas adaptações, aplicam-se-lhe as mesmas regras que valem para quem trabalha por conta de outrem. Na prática, o seguro garante-te as mesmas prestações que teria um trabalhador com contrato, mas quem o contrata e paga és tu.
Aplica-se a quem exerce atividade por conta própria, incluindo quem passa recibos verdes. A obrigação não depende de teres rendimentos regulares: basta estares a exercer a atividade, e o ideal é tratar do seguro logo que vais abrir atividade nas Finanças.
Quem está dispensado
A lei só dispensa os trabalhadores independentes cuja produção se destine exclusivamente ao consumo ou utilização por si próprios e pelo seu agregado familiar. Não dá exemplos de profissões: o que conta é o destino da produção, seja qual for a atividade. A dispensa prova-se com um documento emitido pela junta de freguesia da área da tua residência.
E se também trabalhares por conta de outrem?
Continuas obrigado a ter o teu próprio seguro. O seguro de acidentes de trabalho do teu empregador cobre a atividade por conta de outrem; a atividade independente precisa de um seguro próprio, e os dois coexistem.
Atenção
Se és sócio-gerente remunerado, o seguro que te cobre depende do teu enquadramento na Segurança Social: a apólice dos trabalhadores por conta de outrem pode incluir gerentes remunerados. Confirma o teu caso antes de contratar.
Por que valor tens de fazer o seguro?
O valor da retribuição segura é escolhido por ti, mas tem um mínimo: 14 vezes a retribuição mínima mensal mais elevada em vigor. É sobre esse valor que se calculam as indemnizações e pensões se tiveres um acidente: segurar pelo mínimo quando ganhas mais significa receber menos. Atenção que a referência é a retribuição mínima mais elevada em vigor no país, que pode não coincidir com o salário mínimo nacional do continente: confirma com a seguradora o valor exato.
Se escolheres um valor acima do mínimo, a seguradora pode pedir-te prova dos rendimentos. Se não a pedir no momento em que fazes ou alteras o contrato, vale sempre, para efeitos de indemnização, o valor que ficou garantido na apólice. As pensões atualizam-se nos mesmos termos que as pensões dos trabalhadores por conta de outrem, tendo por base a retribuição efetivamente segura.
O que cobre este seguro?
As prestações mínimas são as fixadas por lei, iguais às dos trabalhadores por conta de outrem, e não dependem da seguradora. O que pode variar são as coberturas adicionais opcionais. A doença profissional não entra neste seguro: tem um regime próprio, a cargo da Segurança Social.
Assistência médica: despesas médicas, cirúrgicas, farmacêuticas e hospitalares necessárias à tua recuperação.
Incapacidade temporária: enquanto estiveres impossibilitado de trabalhar, recebes uma indemnização diária.
Incapacidade permanente: pensão ou capital, conforme o grau de incapacidade, e, em certos casos, subsídio por elevada incapacidade permanente, subsídio para readaptação da habitação e prestação para assistência de terceira pessoa.
Morte: pensões para os familiares com direito, subsídio por morte e subsídio de funeral.
O que conta como acidente de trabalho para um independente?
No local onde prestas o serviço, a regra é a mesma do acidente de trabalho em geral. Fora dele, a lei é mais restrita: só conta como acidente o que aconteça no trajeto que tens de fazer, e apenas nestes casos:
no trajeto habitual entre a tua residência e o local de trabalho, incluindo interrupções ou desvios por uma necessidade atendível, força maior ou caso fortuito;
entre o local de trabalho e o local da refeição;
entre esses locais e o local onde recebas assistência ou tratamento por causa de um acidente anterior, enquanto lá estiveres para esse fim.
Importante
Ao contrário do que acontece com quem trabalha por conta de outrem, para um independente não há outras situações equiparadas fora do local de trabalho, como a formação profissional ou a atividade de representante dos trabalhadores.
Se quiseres proteção para acidentes fora da atividade profissional, isso já é outro produto, opcional: o seguro de acidentes pessoais.
Quanto custa o seguro para trabalhador independente?
Não há um preço fixado por lei. O prémio depende da idade, da atividade e da retribuição que decides segurar, por isso dois independentes com profissões diferentes podem pagar valores muito distintos. Se estás a começar, inclui este custo nas contas da atividade e vê também os benefícios fiscais para trabalhadores independentes. O melhor é pedir orçamento a várias seguradoras e comparar, com a mesma retribuição segura.
Ao comparar, verifica sobretudo a retribuição segura e o âmbito territorial. O seguro vale em todo o território nacional e na União Europeia quando a atividade lá dura até 15 dias; para períodos mais longos na UE, ou fora dela, é preciso contratar expressamente essa extensão.
Como provas que tens seguro e como participas um acidente?
A prova do seguro é um documento emitido pela seguradora, com a tua identificação e o prazo de validade do seguro, que nunca pode ser inferior a um ano. Guarda-o junto dos documentos da tua atividade.
Se tiveres um acidente, és tu (ou, em caso de morte, os teus beneficiários) que o participas à seguradora, nos termos e prazos definidos na apólice. Lê essa cláusula quando contratares: para os independentes, o prazo não está fixado diretamente na lei como está para os trabalhadores por conta de outrem. Em caso de incapacidade permanente, a seguradora participa-a depois ao tribunal no prazo de oito dias a contar da alta.
O que acontece se não tiveres seguro?
Não ter o seguro obrigatório é uma contraordenação, punida com coima entre 49,88 € e 498,80 €. Estes valores resultam da conversão para euros, à taxa fixa, dos montantes da lei original, que estavam em escudos.
A coima é o menor dos problemas: sem apólice, não há seguradora a assumir o tratamento, as indemnizações e as pensões se tiveres um acidente. Para organizares a tua proteção, vê também os apoios para trabalhadores independentes e as regras da Segurança Social para quem trabalha por conta própria.
Outras perguntas frequentes
🤷♂️ Sou trabalhador independente, preciso de seguro de acidentes de trabalho?
Sim, mesmo que tenhas também um emprego por conta de outrem ou não tenhas rendimentos regulares. Só ficas dispensado se o que produzes for apenas para ti e para o teu agregado familiar.
💶 Qual é o valor mínimo pelo qual tenho de fazer o seguro?
Podes escolher o valor, desde que não fique abaixo do mínimo legal: catorze salários mínimos mensais, usando o mais alto em vigor no país. Quanto mais baixo o valor seguro, mais baixas são as indemnizações se tiveres um acidente.
🚗 Um acidente no caminho de casa para o trabalho conta?
Sim, se for no trajeto habitual, mesmo com um desvio por necessidade atendível. Fora do local de trabalho, a lei só considera esse trajeto, o caminho para a refeição e as deslocações para tratamento de um acidente anterior.
👀 O que acontece se não fizer o seguro de acidentes de trabalho?
É uma contraordenação com coima entre 49,88 € e 498,80 €. E, se tiveres um acidente sem apólice, nenhuma seguradora assume o tratamento nem as indemnizações.
Redatora especializada em apoios locais e conceitos administrativos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre apoios e serviços do dia a dia até 2025.
Partilhe este artigo com quem precise de ler isto: