Preparar o IRS de 2026 é organizar, ao longo deste ano, os rendimentos, as faturas e as obrigações fiscais que vão entrar na declaração que entregas em 2027, entre 1 de abril e 30 de junho. Atenção: o «IRS 2026» da campanha deste ano é outra declaração, a dos rendimentos de 2025. Quem deixa tudo para a última hora arrisca-se a esquecer despesas dedutíveis ou a aceitar dados errados. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te que documentos guardar, como usar o e-Fatura, que deduções contam e que erros evitar para não teres surpresas quando chegar a altura.
Índice
O que é preparar o IRS de 2026?
Preparar o IRS de 2026 é organizar as tuas contas e os documentos deste ano para quando tiveres de entregar a declaração, em 2027. Muitas coisas que fazes agora contam para essa declaração: as faturas que pedes com o teu NIF, as mudanças no agregado familiar e as escolhas sobre o IRS Jovem ou a declaração conjunta.
É como preparar a mala antes de uma viagem: se deixares tudo para a última hora, esqueces-te de coisas importantes.
Na prática, preparar o IRS significa ter atenção a:
O dinheiro que ganhas durante 2026
As despesas que podes deduzir (saúde, educação, renda, etc.)
As deduções e os benefícios fiscais a que podes ter direito
Quem faz parte do teu agregado familiar
Quando chegar a altura de entregar o IRS, em 2027, o que não guardaste é mais difícil de comprovar. Por isso vale a pena pensar nisto desde já.
Quando se entrega o IRS de 2026?
O IRS relativo aos rendimentos de 2026 entrega-se em 2027, de 1 de abril a 30 de junho, por via eletrónica no Portal das Finanças. As restantes datas fiscais do ano estão no calendário fiscal.
Toda a gente que trabalha ou tem rendimentos devia prestar atenção ao IRS. Mas há pessoas para quem isto é ainda mais importante, porque podem pagar menos imposto ou evitar problemas.
Se estás numa destas situações, este guia é mesmo para ti:
Pagas renda de casa ou um crédito à habitação em contratos antigos
Mudaste de casa, casaste, divorciaste-te ou tiveste filhos em 2026
Mesmo que costumes aceitar o IRS automático (a declaração que já vem preenchida), vale a pena confirmar se está tudo certo. Esta declaração destina-se a situações simples, como a de quem só tem rendimentos de trabalho por conta de outrem (categoria A) ou pensões (categoria H) e cumpre as condições do IRS automático. Às vezes há erros e podes estar a perder dinheiro sem saber.
Que papéis deves guardar durante 2026?
Durante o ano, há documentos de que vais precisar para comprovar os teus rendimentos e as tuas despesas. É importante guardá-los bem ou, pelo menos, verificar se estão registados corretamente no Portal das Finanças.
Documentos sobre o que ganhas
Estes são os papéis que provam quanto dinheiro recebeste durante o ano. É com base nestes valores que se calcula o imposto que tens de pagar.
O documento comprovativo dos rendimentos e das retenções na fonte, que a entidade empregadora te tem de entregar até 20 de janeiro
Os recibos verdes que passaste (se trabalhas por conta própria)
As faturas que emitiste aos teus clientes
O comprovativo da reforma ou da pensão
Documentos sobre o que gastas
Estas despesas podem baixar o imposto a pagar (ou aumentar o reembolso), dentro dos limites fixados para cada categoria. Por isso é importante não perder estes comprovativos.
Faturas de lares (se tens familiares num lar e és tu que pagas)
Outras despesas da família
Importante
Todas as faturas têm de ter o número de contribuinte (NIF) de quem faz parte do teu agregado familiar. Se a fatura não tiver NIF, não conta para o IRS.
Como usar o e-Fatura para o IRS de 2026
O e-Fatura é a área do Portal das Finanças onde aparecem as faturas emitidas com o teu NIF. É aqui que confirmas se as tuas despesas estão registadas corretamente.
O problema é que muitas vezes as faturas aparecem no e-Fatura, mas na categoria errada ou como pendentes. Por exemplo, uma consulta médica pode aparecer como «despesa geral» em vez de «saúde». Se isto acontecer, essa despesa pode não contar como saúde no IRS.
Por isso, vale a pena entrar no e-Fatura ao longo do ano e não deixar as faturas pendentes para o fim. As categorias mais importantes são:
Saúde (médicos, medicamentos, exames)
Educação (escola, livros, explicações)
Habitação (renda de casa)
Lares (se aplicável)
Despesas gerais familiares
Se não validares as faturas pendentes dentro do prazo indicado no e-Fatura, elas podem não contar para as deduções do IRS.
O que podes deduzir no IRS de 2026?
Há várias despesas que te permitem pagar menos imposto ou receber mais dinheiro de volta no IRS. Os valores exatos podem mudar com o Orçamento do Estado, mas as categorias principais costumam manter-se.
As despesas com a tua saúde e a da tua família podem contar para o IRS. Isto inclui médicos de qualquer especialidade, análises, exames, medicamentos comprados na farmácia, óculos, aparelhos dentários e outros tratamentos.
Guarda sempre as faturas e confirma se têm o teu NIF ou o da pessoa do teu agregado familiar a quem se referem.
Despesas de educação
Se tens filhos na escola ou se tu próprio estás a estudar, podes deduzir várias despesas. Conta a mensalidade da escola, a propina da universidade, os manuais escolares, as explicações, os livros e outro material escolar necessário.
Atenção: nem todas as despesas contam, por isso confirma no e-Fatura se cada fatura ficou na categoria de educação.
Despesas com a casa
Se pagas renda, podes deduzir parte desse valor no IRS. É uma dedução importante, porque a renda costuma ser uma despesa grande todos os meses.
Se tens crédito à habitação em contratos antigos, também podes ter direito a deduzir os juros que pagas ao banco.
Filhos e outros dependentes
Se tens filhos a cargo, incluí-los na declaração dá direito a uma dedução por cada dependente (600 € por dependente); se o dependente tiver até 3 anos a 31 de dezembro, somam-se 126 € e, do segundo dependente em diante com até 6 anos, somam-se 300 € (estas duas majorações não se acumulam). Se o filho estiver em residência alternada, a dedução é de 300 € para cada progenitor.
Quando o dependente tem uma deficiência com grau de incapacidade igual ou superior a 60 %, comprovada pelo atestado multiusos, há direito a uma dedução adicional. Uma doença crónica, por si só, não dá direito a esta dedução.
Os pais ou avós também podem contar. Podes deduzir 525 € por cada ascendente que viva contigo em comunhão de habitação, desde que o rendimento dele não seja superior à pensão mínima do regime geral; se só tiveres um ascendente nessas condições, a dedução sobe 110 € (635 € no total).
Lares de idosos
Se tens pais ou avós num lar de idosos e és tu que pagas, podes deduzir parte dessas despesas no IRS. Como os lares são caros, esta dedução pode pesar bastante nas contas.
IRS Jovem: desconto especial para quem começou a trabalhar há pouco
Se és jovem e começaste a trabalhar recentemente, há um regime especial para ti chamado IRS Jovem. Este regime permite-te pagar menos imposto nos primeiros anos de trabalho.
Como funciona? Uma parte do teu rendimento fica isenta de imposto. Nos primeiros anos, essa percentagem é maior e diminui com o tempo. Há também um limite máximo para o rendimento que pode ficar isento. Os pormenores estão no guia completo do IRS Jovem.
O importante é que tens de confirmar todos os anos se ainda tens direito. O IRS Jovem não é automático: tens de indicar na declaração que queres usar este regime, e as regras podem mudar de um ano para o outro.
Cuidados especiais se trabalhas por conta própria
Se passas recibos verdes, tens de ter cuidados extra com o IRS. A tua situação é um pouco mais complicada do que a de quem trabalha por conta de outrem, mas também há formas de pagares menos imposto.
Há várias coisas importantes a fazer ao longo do ano. Primeiro, emite sempre as faturas e os recibos com os dados corretos. Depois, confirma se as retenções na fonte estão certas (é o dinheiro que vai logo para as Finanças quando recebes).
Outra coisa importante é perceber se compensa entregar a declaração em conjunto com o teu cônjuge ou unido de facto, ou se é melhor declarar em separado. Isto pode fazer grande diferença no valor final. Vale a pena conhecer também os benefícios fiscais para trabalhadores independentes.
Por último, não te esqueças de verificar se estás a pagar as contribuições para a Segurança Social corretamente. Se houver erros, podes ter problemas mais tarde.
Contabilista: quando compensa
Se tens rendimentos de várias origens ou dúvidas sobre o teu regime, pede um orçamento a um contabilista certificado antes da campanha. Às vezes, o que lhe pagas é menos do que o que deixas de pagar com uma declaração bem feita.
Simular o IRS antes de entregar: como saber se vais pagar ou receber
Uma das melhores coisas que podes fazer é simular o teu IRS antes de entregares a declaração. Isto significa usar uma ferramenta que te diz, com base nos teus dados, se vais receber dinheiro de volta ou se vais ter de pagar. Podes fazê-lo no simulador de IRS, que também compara a declaração conjunta com a separada.
Simular é importante por várias razões. Primeiro, ficas a saber quanto dinheiro podes esperar receber (ou ter de pagar), o que te ajuda a planear melhor. Segundo, podes comparar se compensa fazer a declaração em conjunto com o teu cônjuge ou em separado. Por vezes, uma opção dá muito mais dinheiro do que a outra.
Terceiro, consegues perceber qual é o impacto das tuas deduções. Assim vês se vale a pena procurar faturas que possas ter esquecido.
Erros que deves evitar no IRS
Há erros muito comuns que fazem com que as pessoas paguem mais imposto do que deviam. Conhecê-los ajuda-te a não cair neles.
O primeiro erro é esquecer-te de declarar algum rendimento. Mesmo que seja pouco, não deixes nenhum rendimento de fora: se estás obrigado a entregar IRS, tens de declarar todos os rendimentos. As Finanças cruzam a informação que recebem e, se faltarem rendimentos, podem surgir divergências no IRS.
O segundo erro é escolher mal se fazes a declaração sozinho ou em conjunto com o teu cônjuge. Às vezes, as pessoas escolhem sem simular e acabam por pagar mais imposto sem necessidade.
O terceiro erro é ignorar os benefícios fiscais a que podes ter direito. Há deduções que muita gente não usa porque não sabe que existem, como o IRS Jovem ou a dedução por ascendentes.
O último erro grande é confiar cegamente no IRS automático. É útil, mas não é perfeito: pode ter erros ou não incluir todos os benefícios a que podes ter direito. Vale sempre a pena verificar.
O que pode mudar no IRS de 2026?
Aos rendimentos de 2026 aplicam-se as regras do Orçamento do Estado para 2026, que já foi aprovado. São essas as regras com que vais preencher a declaração em 2027.
O Orçamento do Estado para 2027 ainda é uma proposta. Se for aprovado, as alterações que trouxer aplicam-se aos anos que a própria lei indicar, por isso confirma-as antes de entregares a declaração.
Os escalões de IRS (que determinam quanto imposto pagas conforme o que ganhas) são definidos pelo Orçamento do Estado de cada ano. As percentagens de dedução também podem mudar de um ano para o outro, por exemplo nas despesas de saúde ou de educação.
Regimes como o IRS Jovem também podem sofrer alterações. Pode mudar quem tem direito, durante quantos anos ou qual é a percentagem de isenção.
Atenção
Este guia baseia-se nas regras que normalmente se mantêm de um ano para o outro e é atualizado quando houver informação oficial nova. Antes de entregares a declaração, confirma no Portal das Finanças os valores e os limites que se aplicam aos rendimentos de 2026.
Como começar já a preparar o IRS de 2026
Preparar o IRS pode parecer chato, mas compensa. Com alguns minutos por mês a verificar o e-Fatura e a guardar os documentos importantes, evitas erros, não deixas deduções de fora e chegas à campanha a saber declarar os impostos corretamente.
Não deixes tudo para a última hora. Começa já a organizar-te e, quando chegar a altura de entregar o IRS, em 2027, vai ser muito mais fácil.
Se tiveres dúvidas, podes ir a um Serviço de Finanças, contactar a linha de apoio das Finanças ou pedir ajuda a um contabilista.
Outras perguntas frequentes
🤖Quem pode usar o IRS automático?
O IRS automático é pensado para situações fiscais simples, como a de quem só tem rendimentos de trabalho por conta de outrem (categoria A) ou pensões (categoria H) e cumpre as condições do IRS automático. Mesmo nesse caso, revê os rendimentos, o agregado familiar e as deduções antes de confirmares a declaração.
💶Como sei se vou pagar ou receber IRS?
O resultado certo só aparece na nota de liquidação, que as Finanças emitem depois de entregares a declaração. Antes disso, uma simulação com os teus rendimentos, as retenções na fonte feitas ao longo do ano e as deduções dá-te uma estimativa do reembolso ou do imposto a pagar.
🎓Tenho de pedir o IRS Jovem todos os anos?
Sim. O IRS Jovem não é automático: a opção faz-se na própria declaração de IRS e tem de ser exercida todos os anos. Se não a indicares, não beneficias do regime, mesmo que cumpras as condições. As regras podem mudar com o Orçamento do Estado, por isso confirma-as antes de entregares.
👵Posso deduzir no IRS os pais que vivem comigo?
Sim, desde que cumpram duas condições: os teus pais ou avós têm de viver contigo em comunhão de habitação e não podem ter rendimentos acima da pensão mínima do regime geral. Nesse caso, cada um dá direito a uma dedução de 525 €. Se só tiveres um ascendente nessas condições, a dedução sobe 110 € (635 € no total). Se estiverem num lar pago por ti, as despesas do lar também podem contar.
Redatora especializada em emprego e habitação, com experiência em gestão de projetos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre emprego, habitação e apoios à família até 2026.
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