Burlas em Portugal 2026: o que fazer e como recuperar o dinheiro

9 Outubro 2026 por António Pereira - 9 minutos de leitura

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Homem preocupado a olhar para o telemóvel depois de uma burla por chamada

Uma burla pode chegar por SMS, por e-mail, por uma chamada ou por um pedido de MB WAY e, quando dás por ela, o dinheiro já saiu da conta. O que fazes nas primeiras horas conta: avisar o banco, bloquear o cartão e apresentar queixa. Se a operação não foi autorizada por ti, o banco pode ter de te devolver o valor. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o que é cada tipo de burla, onde fazer queixa e como tentar recuperar o dinheiro.

Burlas online em Portugal: como chegam às vítimas

As burlas online multiplicaram-se com a passagem para o digital de quase tudo: compras, pagamentos, conversas com o banco e serviços públicos. Os burlões usam as redes sociais, as plataformas de venda entre particulares e as aplicações de mensagens para chegar às vítimas, quase sempre com uma história urgente ou uma oferta boa demais. Muitas vezes começa com um e-mail ou um SMS falso em nome do banco ou das Finanças, o chamado phishing.

Exemplo de SMS de burla: remetente falso, urgência, link que não é do banco e pedido de dados

Os números dão uma ideia da dimensão. Entre 1 de janeiro e 28 de maio de 2025, o Portal da Queixa recebeu 3.886 reclamações relacionadas com burlas em compras online. É só uma parte do problema: o dado não inclui outros tipos de burla. O Portal da Queixa é uma plataforma de reclamações de consumidores: serve para expor o caso à empresa, mas não substitui a queixa às autoridades.

Tipos de burla mais frequentes

Quase todas as burlas têm o mesmo objetivo: levar-te a entregar dados bancários, códigos de acesso ou dinheiro. O que muda é o canal e a história que te contam.

Phishing, smishing e vishing

  • Phishing: usa e-mails falsos que imitam o teu banco, as Finanças ou uma empresa conhecida. O link leva a um site falso e, ao escreveres a palavra-passe ou os dados do cartão, entregas as credenciais aos burlões.
  • Smishing: é o mesmo esquema por SMS. A mensagem parece vir de uma operadora, de um banco ou de uma empresa de entregas e pede-te, com urgência, para atualizar dados ou pagar uma pequena taxa através de um link.
  • Vishing: o vishing é feito por chamada telefónica. Alguém finge ser funcionário do banco ou de uma entidade pública e, com pressão ou medo, convence-te a dizer códigos, números do cartão ou a autorizar uma operação.

Burlas com MB WAY, compras online e falsos familiares

Nas burlas com MB WAY, o burlão finge ser comprador de algo que vendes e pede-te para ires a um Multibanco ou à aplicação «receber» o pagamento. Na verdade, estás a associar o teu cartão ao telemóvel dele ou a enviar-lhe dinheiro.

Nas compras online, o esquema clássico é o anúncio com preço muito baixo, o vendedor sem contactos verificáveis e o pedido de pagamento só por transferência. O mesmo esquema aparece muito no aluguer de casas para as férias.

Há ainda a burla do falso familiar: uma mensagem de um número desconhecido do tipo «Olá mãe, mudei de número», seguida de um pedido urgente de dinheiro. E as falsas oportunidades de investimento, que prometem rendimentos garantidos.

O que fazer logo a seguir a uma burla

Assim que percebes que se trata de uma burla, o tempo joga contra ti. Quanto mais cedo o banco souber, mais hipóteses tem de travar novas operações ou de tentar recuperar o dinheiro.

Segue esta ordem:

  1. Liga ao teu banco: comunica a operação que não reconheces e pede o bloqueio do cartão, da aplicação ou do acesso ao homebanking. Tens de o fazer sem atraso injustificado e, em qualquer caso, até 13 meses a contar da data do débito.
  2. Cancela os cartões comprometidos: se deste os dados de um cartão de crédito ou de débito, pede um novo.
  3. Muda as palavras-passe: começa pelo homebanking e pelo e-mail, e depois pelas contas onde usas a mesma palavra-passe.
  4. Guarda todas as provas: capturas de ecrã das mensagens, números de telefone, e-mails, links, comprovativos de transferência e o IBAN ou o número de telemóvel para onde foi o dinheiro.
  5. Apresenta queixa às autoridades: é a queixa que permite investigar o caso e identificar quem está por trás da burla.

Se os burlões ficaram com fotografias ou dados do teu Cartão de Cidadão, menciona-o tanto ao banco como na queixa, porque podem tentar usá-lo para abrir contas ou pedir crédito em teu nome.

Como fazer queixa de uma burla

Podes apresentar queixa em qualquer esquadra da PSP, num posto da GNR, na Polícia Judiciária ou diretamente no Ministério Público. Leva as provas que guardaste e uma cronologia simples do que aconteceu: dia, hora, valor e como foste contactado.

Também podes fazer a queixa online no Sistema Queixa Eletrónica, que aceita queixas por burla. Para entrar, podes autenticar-te com o Cartão de Cidadão ou com a Chave Móvel Digital.

Na burla simples, o processo só avança se a vítima apresentar queixa, e tens 6 meses para o fazer a contar do dia em que soubeste da burla e de quem a cometeu. Há outras formas de burla, como a burla qualificada, com regras diferentes. Não esperes pela resposta do banco para avançar com a queixa.

Como recuperar o dinheiro de uma burla

Recuperar o dinheiro depende sobretudo de duas coisas: de a operação ter sido ou não autorizada por ti e da rapidez com que agiste. O caminho passa primeiro pelo banco e, se não resultar, pelas entidades de reclamação e pelo processo-crime.

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Quando o banco tem de devolver o dinheiro

Se uma operação de pagamento não foi autorizada por ti, a lei dos serviços de pagamento protege-te. O banco tem de te devolver o valor de imediato e, o mais tardar, até ao final do primeiro dia útil seguinte àquele em que teve conhecimento da operação ou em que lha comunicaste. Só pode deixar de o fazer se tiver motivos razoáveis para suspeitar de fraude e o comunicar, ou se provar fraude, dolo ou negligência grosseira da tua parte. Não basta ao banco dizer que foste descuidado.

Faz o pedido de reembolso por escrito, com a data em que comunicaste a burla, o comprovativo da queixa e as provas que reuniste. Guarda a resposta.

Atenção
Esta proteção aplica-se às operações não autorizadas. Se foste tu a fazer a transferência ou a confirmar o pagamento, mesmo que te tenham enganado por chamada ou mensagem, o banco pode considerar que a operação foi autorizada e recusar o reembolso. Nesse caso, a recuperação passa pela queixa e pelo processo contra o burlão.

Transferências, MB WAY e cartões: o que podes tentar

Depois de o banco receber a ordem de transferência, já não a consegues cancelar. Isto vale também para um envio por MB WAY. Por isso, contacta o teu banco logo que descubras a burla, para que tente recuperar o dinheiro.

Se pagaste com cartão, pergunta ao teu banco se pode contestar a operação.

Se o banco recusar o reembolso

Se o banco recusar devolver o dinheiro ou não responder, tens várias vias:

  • Reclamação no banco: por escrito ou no Livro de Reclamações.
  • Reclamação ao Banco de Portugal: podes também reclamar ao Banco de Portugal.
  • Centro de arbitragem: em alguns litígios com bancos, podes recorrer a um centro de arbitragem de conflitos de consumo.

Acompanha cada processo e guarda todas as comunicações. Se tiveres de reclamar em várias frentes, o mesmo dossier com provas e datas serve para todas.

Se o dinheiro não voltar

Quando o banco não tem de reembolsar, a via que fica é a do processo contra o burlão. Se ele for identificado, informa-te junto do Ministério Público ou de um advogado sobre pedir uma indemnização.

E se a burla te deixou sem dinheiro para as despesas básicas do mês, como a renda, a luz ou a alimentação, informa-te na Segurança Social sobre o apoio de emergência social.

Como prevenir burlas: cuidados no dia a dia

A maior parte das burlas aproveita um momento de pressa ou de distração. Alguns hábitos simples tornam-te um alvo muito mais difícil:

  • Desconfia da urgência: mensagens que ameaçam bloquear a conta, cortar um serviço ou perder uma entrega são o primeiro sinal de alerta.
  • Não carregues em links que não pediste: entra no site ou na aplicação do banco escrevendo o endereço tu mesmo.
  • Nunca dês códigos por telefone, SMS ou e-mail: se alguém que diz ser do banco te pede códigos de confirmação, o PIN ou a palavra-passe do homebanking, desliga e liga tu para o número oficial do banco.
  • Ativa a autenticação em dois fatores: com um código enviado para o telemóvel, fica muito mais difícil entrar na tua conta, mesmo para quem descubra a palavra-passe.
  • Mantém o telemóvel e o computador atualizados: sistemas desatualizados são mais fáceis de atacar.
  • Confirma por outro canal: se um «familiar» te pede dinheiro de um número novo, liga para o número antigo antes de transferir.
  • Não pagues sinais a desconhecidos: antes de transferir dinheiro por um artigo usado ou por uma reserva, confirma quem está do outro lado. No caso das casas para as férias, reunimos os sinais de alerta em como evitar burlas com casas de férias.
Combina uma palavra-código com a família
Escolhe com os teus pais ou avós uma palavra que só a família conhece e que tem de ser dita em qualquer pedido de dinheiro por mensagem ou chamada. Ajuda a desmontar a burla do falso familiar, mesmo quando a voz ou a fotografia parecem verdadeiras.
Outras perguntas frequentes

Redator especializado em apoios financeiros e IRS. Foi redator em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu guias sobre habitação, emprego e benefícios sociais até 2025.


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