As taxas Euribor são a referência usada para calcular os juros de muitos contratos de crédito à habitação com taxa variável ou mista em Portugal. Num crédito com taxa variável, quando a Euribor sobe ou desce, a tua prestação acompanha-a na revisão seguinte. Por isso, é um dos termos financeiros que mais convém perceber quando se tem crédito à habitação. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o que é a Euribor, como é calculada, onde consultar a Euribor de hoje e quanto pode mudar a tua prestação, com um exemplo prático.
Índice
O que são as taxas Euribor?
A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa de referência calculada a partir das contribuições de um painel de bancos da zona euro. Serve como referência para vários produtos financeiros, sobretudo o crédito à habitação com taxa variável, e é atualizada diariamente com base nas contribuições enviadas por esses bancos.
Criada com o lançamento do euro (foi publicada pela primeira vez a 30 de dezembro de 1998, poucos dias antes da introdução da moeda única), a Euribor passou a servir de referência comum no mercado monetário da zona euro, substituindo as taxas nacionais. Desde então, tornou-se uma das taxas com mais peso na vida financeira das famílias, com impacto direto nas prestações de empréstimos em vários países, incluindo Portugal.
A Euribor não é, sozinha, a taxa de juro do teu empréstimo. É apenas uma das duas partes que a compõem, como vês mais abaixo.
Como são calculadas as taxas Euribor?
A Euribor é calculada pelo European Money Markets Institute (EMMI), a entidade que administra este indexante, a partir das contribuições que os bancos do painel lhe enviam diariamente. O EMMI publica a Euribor do dia por volta das 11h, hora de Bruxelas.
Para que o valor final não seja distorcido por extremos, o EMMI põe de parte os 15 % de contribuições mais altas e os 15 % mais baixas. Com as restantes, calcula a média, que é arredondada à milésima. Esse valor é a Euribor do dia, publicada para cinco prazos: 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses.
No crédito hipotecário, é o contrato que indica que prazo da Euribor se aplica (por exemplo, 3, 6 ou 12 meses), e a prestação é revista de acordo com esse prazo.
Exemplo ilustrativo
Num exemplo com valores hipotéticos, imagina um crédito à habitação indexado à Euribor a 6 meses. A prestação é revista duas vezes por ano, com base na Euribor a 6 meses definida no contrato. Se em janeiro a Euribor estiver a 3,50 % e o contrato tiver um spread de 1 %, a taxa a aplicar será de 4,50 % até à revisão seguinte, em julho.
Qual é a influência da Euribor no crédito à habitação?
A Euribor tem um impacto direto nos créditos à habitação com taxa variável. Nestes contratos, a TAN (taxa anual nominal) resulta da soma da Euribor com o spread definido pelo banco. Quando a Euribor sobe, a prestação mensal aumenta na revisão seguinte; quando desce, o valor a pagar diminui na revisão seguinte.
A revisão é feita de forma periódica, de acordo com o prazo da Euribor escolhido no contrato (por exemplo, a cada 3, 6 ou 12 meses). Já nos créditos com taxa fixa, a Euribor não mexe na prestação, que se mantém igual durante todo o período de taxa fixa.
Exemplo: quanto sobe a prestação se a Euribor subir 0,5 pontos percentuais
Neste exemplo, uma subida de 0,5 pontos percentuais na Euribor aumenta a prestação em cerca de 45 € por mês. É um exemplo meramente ilustrativo, com valores hipotéticos (não são os atuais da Euribor): imagina um crédito à habitação de 150.000 € a 30 anos, indexado à Euribor a 6 meses e com um spread de 1 %. A tabela compara a prestação mensal antes e depois de a Euribor subir de 3,50 % para 4,00 %:
Cenário
Euribor a 6 meses
Spread
TAN
Prestação mensal
Antes da revisão
3,50 %
1,00 %
4,50 %
cerca de 760 €
Depois da revisão
4,00 %
1,00 %
5,00 %
cerca de 805 €
A diferença é de cerca de 45 € por mês. Num ano, se a taxa se mantiver, isso significa um aumento de cerca de 540 €. As contas usam a fórmula habitual de prestação constante e não incluem seguros nem comissões, que também pesam no que pagas. Para saber se a prestação ainda cabe no teu rendimento, calcula a tua taxa de esforço.
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A taxa fixa mantém a prestação constante durante todo o período acordado, o que facilita o planeamento financeiro. Mesmo que a Euribor suba, o valor não muda, o que dá estabilidade ao orçamento familiar. Em contrapartida, a taxa fixa inicial é muitas vezes mais alta do que a variável, embora isso dependa do momento do mercado.
A taxa variável acompanha a Euribor, podendo aumentar ou diminuir. Isto significa que a prestação pode ser mais baixa no início, mas existe o risco de subir, o que pode apertar o orçamento. É indicada para quem aceita alguma volatilidade e quer aproveitar possíveis descidas da taxa. Se uma subida já te apertou as contas, vê que apoios aos juros do crédito existem hoje.
A taxa mista combina as duas opções: um período inicial com taxa fixa e, depois, taxa variável. Esta modalidade oferece alguma estabilidade nos primeiros anos e depois ajusta-se ao mercado. É uma solução intermédia para quem quer equilíbrio entre segurança e flexibilidade.
Como escolher entre taxa fixa e taxa variável
Para escolher entre taxa fixa ou variável, avalia a tua tolerância ao risco e o cenário económico. A taxa fixa oferece estabilidade com prestações constantes e serve a quem prefere segurança. A variável pode ficar mais barata quando a Euribor está baixa, mas pode subir, por isso pede simulações com vários cenários antes de decidir.
A fonte oficial é o site do EMMI, que publica o valor de cada um dos cinco prazos. No site do EMMI, as taxas diárias podem ser consultadas gratuitamente, mediante registo prévio, com 24 horas de atraso. O Banco de Portugal também divulga, no BPstat, o seu portal de estatísticas, as médias mensais da Euribor a 1, 3, 6 e 12 meses.
O valor do dia, porém, pode não ser o que entra na tua prestação. É o contrato que define que prazo da Euribor se aplica e com que periodicidade a taxa é revista. Confirma no contrato ou junto do banco como é determinado o valor usado em cada revisão. Se a prestação já pesa demasiado no orçamento, consulta o que existe hoje em apoios ao crédito à habitação.
Estratégias para reduzir a prestação do crédito à habitação
Uma das opções é renegociar o spread com o banco. Reduzir essa margem pode baixar a taxa de juro e, consequentemente, a prestação mensal, aliviando o orçamento familiar. Alargar o prazo do crédito também diminui o valor das prestações mensais, distribuindo o pagamento por mais tempo. Porém, isso pode aumentar o total de juros pagos.
Outra alternativa é fazer amortizações antecipadas, pagando parte do capital antes do prazo. Isto reduz o montante em dívida e pode reduzir a prestação ou o prazo, conforme o que acordares com o banco, além de diminuir os juros totais do empréstimo. Num crédito à habitação com taxa variável, a comissão por reembolso antecipado não pode ser superior a 0,5 % do capital reembolsado; com taxa fixa, o limite é de 2 %.
Rever os seguros ligados ao crédito, como o seguro multirriscos habitação, também pode baixar o encargo mensal total. Confirma primeiro, com o banco, se a mudança altera o spread acordado.
Por fim, podes pedir para trocar a taxa variável por uma fixa, se previres aumentos da Euribor. Assim, ficas com prestações estáveis durante o período de taxa fixa, embora a prestação inicial possa ser mais alta e a mudança dependa do acordo do banco e possa ter custos.
Antes de amortizar ou de mudar de regime de taxa, pede ao banco uma simulação por escrito com a nova prestação, as comissões e os custos de alteração do contrato.
Outras perguntas frequentes
📅Como sei a que prazo da Euribor está ligado o meu crédito?
Está indicado no contrato do teu crédito à habitação, juntamente com o spread e a periodicidade de revisão da taxa, por exemplo a Euribor a 3, 6 ou 12 meses. Se não o encontrares, pede essa informação ao banco.
📉Se a Euribor descer, a minha prestação desce logo?
Depende do contrato. Num crédito com taxa variável, a descida só entra na prestação na revisão seguinte, com base na Euribor definida no contrato. Na taxa fixa, e no período fixo de uma taxa mista, a prestação não muda.
🏦O spread também muda quando a Euribor muda?
Não. O spread é a margem do banco e fica definido no contrato; o que varia nas revisões é a Euribor. O spread só muda se o renegociares com o banco ou se alterares condições acordadas com ele, como os seguros ligados ao crédito.
🔁O que acontece quando acaba o período fixo de uma taxa mista?
A partir dessa data, o crédito passa a taxa variável: a TAN passa a ser a soma da Euribor definida no contrato com o spread, e a prestação começa a ser revista com a periodicidade acordada. Pede ao banco uma simulação da nova prestação antes dessa mudança.
Redator especializado em apoios financeiros e IRS. Foi redator em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu guias sobre habitação, emprego e benefícios sociais até 2025.
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