O que muda no salário mínimo e nas pensões em 2026

23 Outubro 2026 por Sofia Severino - 8 minutos de leitura
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Mulher portuguesa a sorrir enquanto lê um documento sobre o aumento do salário mínimo e das pensões em 2026.

Em 2026, o salário mínimo nacional passou de 870 € para 920 € brutos por mês e as pensões de velhice e invalidez até 6.445,56 € subiram entre 2,02 % e 2,80 %, conforme o valor de cada pensão. Em dezembro, há ainda um suplemento extraordinário para as pensões mais baixas, pago com a pensão desse mês. São dois dos indicadores económicos com mais impacto no rendimento das famílias, e ambos serão de novo decididos no final do ano, para 2027. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te o que mudou no salário mínimo e nas pensões em 2026, quanto ganhas a mais e o que já se sabe sobre 2027.

1. O que muda no salário mínimo em 2026

O salário mínimo nacional é o valor mais baixo que um empregador pode pagar por um mês de trabalho a tempo completo. É atualizado todos os anos por decreto-lei, normalmente publicado em dezembro, e aplica-se a partir de 1 de janeiro.

Desde 2025, os aumentos seguem uma trajetória combinada entre o Governo, as confederações patronais e a UGT, num acordo de concertação social para o período de 2025 a 2028. É essa trajetória que explica os valores dos últimos anos e os que estão previstos para os próximos.

Valor do salário mínimo em 2025 e 2026

  • Em 2025, o salário mínimo foi de 870 € brutos por mês.
  • Em 2026, está fixado em 920 € brutos por mês.

Nas regiões autónomas, o salário mínimo é mais alto: em 2026, é de 966 € nos Açores e de 980 € na Madeira.

Salário mínimo em 2027: o que já se sabe

Para 2027, o acordo prevê 970 € e, para 2028, 1.020 €. Os valores de 2027 e 2028 são uma previsão do acordo e só ficam oficiais quando for publicado o decreto-lei de cada ano.

À data de 23 de outubro de 2026, o decreto-lei que fixa o salário mínimo de 2027 ainda não foi publicado.

Importante
Até ser publicado o decreto-lei, normalmente em dezembro, os 970 € de 2027 são o valor previsto e não o valor em vigor. Um contrato ou um recibo de 2027 deve basear-se no valor que for oficialmente fixado.

Porque é que o salário mínimo sobe?

O aumento procura melhorar o poder de compra de quem tem salários mais baixos e aproximar o salário mínimo do salário médio. Numa altura em que a energia, a alimentação e a habitação continuam a pesar no orçamento, cada atualização conta para quem vive com este rendimento.

O Governo defende também que salários mais altos estimulam o consumo interno, o que ajuda o crescimento económico e aumenta as receitas de impostos e contribuições.

Impacto para quem recebe o salário mínimo

Se recebias 870 € em 2025, passar para 920 € representa mais 50 € brutos por mês, cerca de 5,75 % de aumento. O valor líquido depende dos descontos para a Segurança Social e do IRS, que podes confirmar no teu recibo de vencimento ou estimar no simulador de salário líquido.

O valor de 920 € é bruto e mensal. A isso somam-se o subsídio de férias e o subsídio de Natal, o que dá 14 pagamentos por ano, a não ser que tenhas acordado por escrito com a entidade patronal receber os subsídios fracionados ao longo do ano, em duodécimos. Os descontos e o cálculo do valor líquido estão detalhados no guia do ordenado mínimo.

Entre 2021 e 2026, o salário mínimo passou de 665 € para 920 €, uma subida de cerca de 38,3 %.

2. O que muda nas pensões em 2026: qual foi o aumento

As pensões foram atualizadas a 1 de janeiro de 2026, com percentagens diferentes consoante o valor de cada pensão. Os escalões são definidos a partir do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que em 2026 vale 537,13 €.

Estas percentagens aplicam-se às pensões de velhice e de invalidez do regime geral da Segurança Social, pagas pelo Centro Nacional de Pensões, e às pensões de aposentação, reforma e invalidez da Caixa Geral de Aposentações, atribuídas antes de 1 de janeiro de 2026.

  • Pensões até 1.074,26 €: aumento de 2,80 %.
  • Pensões acima de 1.074,26 € e até 3.222,78 €: aumento de 2,27 %.
  • Pensões acima de 3.222,78 € e até 6.445,56 €: aumento de 2,02 %.
  • Pensões acima de 6.445,56 €: sem atualização, salvo exceções previstas na lei.

Há também um aumento mínimo em euros. Em regra, nas pensões a partir de 331,79 € e até 1.074,26 €, a subida não pode ser inferior a 9,29 € e, nas pensões acima de 1.074,26 € e até 3.222,78 €, não pode ser inferior a 30,08 €. Estes mínimos não se aplicam a algumas pensões antecipadas atribuídas por flexibilização da idade de reforma.

A percentagem de 2027 depende da inflação e do crescimento económico apurados no fim do ano e só será conhecida em dezembro. A fórmula completa, os valores das pensões mínimas e as datas de pagamento estão explicados no artigo sobre o aumento das pensões.

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Suplemento extraordinário de pensão em dezembro de 2026

Além da atualização de janeiro, o suplemento extraordinário de pensão de 2026 já está fixado por decreto-lei, publicado em outubro. É pago com a pensão de dezembro de 2026, sem necessidade de pedido, e o valor depende do montante mensal global das tuas pensões:

  • 200 € se as pensões somarem até 537,13 €;
  • 150 € se somarem mais de 537,13 € e até 1.074,26 €;
  • 100 € se somarem mais de 1.074,26 € e até 1.611,39 €.

Se a soma das tuas pensões ultrapassar 1.611,39 € por mês, não há lugar a este suplemento.

O suplemento abrange também as pensões de sobrevivência: podem recebê-lo os pensionistas de invalidez, velhice e sobrevivência da Segurança Social, os da Caixa Geral de Aposentações e os do setor bancário, com pensões devidas até 30 de novembro de 2026. O suplemento não está sujeito a retenção na fonte de IRS.

Atenção
O suplemento não conta para o cálculo do Complemento Solidário para Idosos.

O que fazer para tirar o melhor partido

  • Confirma em que escalão está a tua pensão, para saberes que percentagem se aplicou em 2026.
  • Verifica no recibo de janeiro se o novo valor da pensão ou do salário já foi aplicado.
  • Em dezembro, confirma se o suplemento extraordinário foi pago junto com a pensão.
  • Guarda os comprovativos: o contrato de trabalho atualizado e o comprovativo de pagamento da pensão.

3. Situação antes e depois

A tabela resume os valores e as percentagens oficiais antes e depois das atualizações de 2026:

CategoriaEm 2025Em 2026
Salário mínimo nacional870 € por mês920 € por mês
Pensões até 2 IAS (1.074,26 €)Valor de 2025Aumento de 2,80 %
Pensões acima de 2 IAS e até 6 IAS (1.074,26 € a 3.222,78 €)Valor de 2025Aumento de 2,27 %
Pensões acima de 6 IAS e até 12 IAS (3.222,78 € a 6.445,56 €)Valor de 2025Aumento de 2,02 %
Pensões acima de 12 IAS (mais de 6.445,56 €)Valor de 2025Sem atualização, salvo exceções

Por exemplo, se recebias o salário mínimo de 870 € em 2025, com a subida para 920 € em 2026 ganhas mais 50 € por mês antes de impostos e descontos. Numa pensão de 500 €, o aumento de 2,80 % leva o valor para 514 € (exemplos meramente ilustrativos).

Vantagens diretas para o teu orçamento

  • Um aumento do salário mínimo ou da pensão representa mais rendimento para despesas essenciais como energia, alimentação e habitação.
  • Os apoios ligados ao rendimento, como a tarifa social de energia, têm limites próprios: confirma se continuas abrangido depois do aumento.
  • Se a tua pensão é baixa, vale a pena verificar o direito ao Complemento Solidário para Idosos.
Faz as contas ao líquido
Antes de planear o orçamento, compara o valor líquido do teu primeiro recibo de 2026 com o de dezembro de 2025. É essa diferença, e não o aumento bruto anunciado, que chega à tua conta.

4. Boas práticas e erros a evitar

  • Confiar apenas no valor bruto anunciado, sem verificar o impacto líquido depois dos descontos.
  • Tratar os valores previstos para 2027 e 2028 como se já estivessem em vigor.
  • Ignorar que um salário ou uma pensão mais alta pode afetar apoios sociais que têm limites de rendimento, como o Rendimento Social de Inserção.
  • Deixar para o fim do ano a análise do impacto no orçamento familiar.
Outras perguntas frequentes

Redatora especializada em emprego e habitação, com experiência em gestão de projetos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre emprego, habitação e apoios à família até 2026.


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