Quem se muda para o interior de Portugal pode pagar menos IRS e, em certos casos, contar com um apoio do IEFP para começar a trabalhar lá. Quem transfere a residência permanente para o interior e arrenda aí casa tem um limite de 1.000 € na dedução das rendas (o limite geral é 900 € em 2026; em 2027, iguala-se) durante três anos, a contar do ano do contrato, e os estudantes de estabelecimentos de ensino do interior têm uma dedução maior nas despesas de educação. Há ainda apoios de cada região e de alguns municípios, que variam conforme a morada. E hoje, em As Tuas Ajudas, explicamos-te os incentivos para morar no interior, para famílias e para empresas, e o que tens de confirmar antes de te mudares.
Índice
Incentivos para morar no interior: apoios para famílias
Os incentivos para as famílias que se mudam para o interior passam sobretudo pelo IRS: há deduções maiores para quem estuda em estabelecimentos de ensino destas regiões e para quem transfere a residência permanente para o interior e aí arrenda casa. A estas deduções junta-se o Emprego Interior MAIS, um apoio do IEFP para quem vai trabalhar no interior e muda de residência.
Se pensas comprar ou recuperar casa, há outros apoios que não dependem de viveres no interior, como a isenção do IMT jovem na compra de casa ou os incentivos à recuperação de casas antigas ou rurais.
Estudantes: majoração de 10 pontos percentuais na dedução de educação
Para os estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino localizados no interior do país, a dedução das despesas de educação e formação no IRS é majorada em 10 pontos percentuais: passa de 30% para 40% do valor das despesas.
Em regra, estas despesas são dedutíveis à coleta do IRS em 30% do seu valor, até um limite máximo de 800 €. Com a majoração do interior, esse limite sobe para 1.000 €, mas os 200 € a mais só podem vir de despesas de educação e formação num estabelecimento de ensino do interior. A majoração de 10 pontos percentuais aplica-se apenas a estas despesas de educação e formação, e não às restantes deduções no IRS.
Para a majoração contar, tens de comunicar no Portal das Finanças, até ao final de fevereiro do ano seguinte, os elementos do agregado que estudam no interior e o total das despesas. Estas despesas também constam do quadro 7 do Anexo H.
Emprego Interior MAIS
O Emprego Interior MAIS é um apoio financeiro do IEFP para quem vai trabalhar para o interior. Pode ser pedido por quem celebre um contrato de trabalho ou crie o próprio emprego ou empresa com local de trabalho no interior do país e mude de residência para lá. Também se pode candidatar quem já trabalha e é transferido para um local de trabalho no interior, se isso implicar mudança de residência.
O apoio base é um múltiplo do IAS (537,13 € em 2026) e varia consoante o tipo de contrato (sem termo, a termo de 12 meses ou mais) ou a criação do próprio emprego. Consulta o valor atualizado na ficha do IEFP. Ao apoio base podem juntar-se:
uma majoração de 20% por cada elemento do agregado familiar que te acompanhe na mudança;
um apoio complementar para o transporte de bens, também calculado em função do IAS.
A candidatura faz-se no portal iefponline, até 180 dias consecutivos após o início do contrato de trabalho, da criação do próprio emprego ou empresa, ou da transferência do local de trabalho para o interior. O apoio está sujeito à dotação disponível, por isso confirma no iefponline, antes de assinares o contrato, se ainda aceita candidaturas.
Os perfis de quem se pode candidatar, as regras sobre a morada anterior e o tempo mínimo que tens de manter o posto de trabalho estão no nosso guia do Emprego Interior MAIS, com exemplos de cálculo do apoio.
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Arrendar casa no interior: dedução maior das rendas
Quem transfere a residência permanente para o interior e arrenda aí a casa onde passa a viver tem um limite de 1.000 € na dedução das rendas no IRS durante três anos, sendo o primeiro o ano em que assinas o contrato de arrendamento.
No resto do país, é possível deduzir no IRS 15% do valor das rendas pagas pela habitação permanente, com um limite anual de 900 € em 2026 e de 1.000 € a partir de 2027. Se também precisas de ajuda para pagar a renda, o Porta 65 Jovem apoia jovens no arrendamento e há outros apoios à habitação de âmbito nacional.
Compara os dois limites antes de entregar o IRS
O limite geral das rendas é de 900 € em 2026 e passa a 1.000 € a partir de 2027, pelo que, a partir de 2027, deixa de haver diferença no limite máximo face aos 1.000 € do interior. Na simulação da declaração no Portal das Finanças, confirma qual dos limites se aplica ao teu caso e em que ano termina o período de três anos.
Apoios no interior para empresas
Para as empresas, os incentivos passam por regras próprias no IRC e por deduções ligadas ao investimento.
As PME com atividade e direção efetiva no interior, sem salários em atraso e que não resultem de uma cisão nos últimos dois anos, pagam IRC a 12,5% sobre os primeiros 50.000 € de matéria coletável.
Condições fiscais favoráveis para atração de investimento
No Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI), as empresas que realizem investimentos em atividades económicas consideradas estratégicas podem beneficiar de condições fiscais vantajosas. Neste regime, a dedução à coleta do IRC é de 30% das aplicações relevantes até 15 milhões de euros e de 10% sobre o que exceda esse montante. Em algumas regiões, abrangidas por uma regra europeia sobre auxílios de Estado (partes do Algarve e da Área Metropolitana de Lisboa), a dedução é de 10%.
Incentivos fiscais à floresta e à silvicultura
Quem tem rendimentos da gestão florestal ou de atividades silvícolas, por conta própria (categoria B) ou através de uma empresa, pode beneficiar de dois tipos de incentivos: isenções e majorações. A compra de prédios rústicos que sejam áreas florestais abrangidas por uma ZIF pode ficar isenta de IMT e de Imposto do Selo, e estes prédios podem ainda ter isenção de IMI, mediante pedido no serviço de finanças. Além disso, os gastos com a defesa e a manutenção da floresta são majorados em sede de IRC e de IRS, o que reduz o imposto a pagar.
Que territórios contam como interior?
Os incentivos próprios do interior aplicam-se a casas, escolas, postos de trabalho ou empresas situados nos territórios do interior definidos pelo Governo. A lista oficial abrange 165 municípios e 73 freguesias.
Como a lista inclui freguesias soltas, nem sempre basta saber o concelho: confirma também a freguesia da morada. Podes consultar a lista dos territórios do interior no Diário da República.
Depende das despesas que tens. Nas rendas, a vantagem exige transferir a residência permanente para o interior e arrendar aí casa: o limite da dedução passa a 1.000 € durante três anos, sendo o primeiro o ano em que assinas o contrato de arrendamento (face aos 900 € do limite geral em 2026; a partir de 2027, os dois limites igualam-se). Na educação, não é preciso mudar de casa: conta a matrícula do estudante num estabelecimento de ensino do interior, com dedução de 40% em vez de 30%.
🗺️Como sei se a minha morada fica no interior?
A referência é a lista oficial de territórios do interior publicada pelo Governo, que inclui concelhos inteiros e também freguesias soltas. Procura o nome da tua freguesia, além do concelho, e faz o mesmo com a morada da escola ou do posto de trabalho, se for esse o incentivo que te interessa.
💼Posso pedir o Emprego Interior MAIS depois de já ter começado a trabalhar?
Sim, se esse trabalho no interior implicou mudares de residência para lá e ainda estiveres dentro do prazo. O pedido entra no iefponline e o prazo de 180 dias consecutivos conta-se a partir do início do contrato, da criação do teu emprego ou empresa ou da transferência do local de trabalho.
🎓Um estudante num estabelecimento de ensino do interior tem dedução maior no IRS?
Sim. A despesa de educação e formação conta a 40% em vez de 30%, e o teto desta dedução passa de 800 € para 1.000 €, desde que a parte acima dos 800 € corresponda a despesas de educação e formação no interior.
Redatora especializada em apoios locais e conceitos administrativos. Foi redatora em As-Tuas-Ajudas.pt, onde escreveu sobre apoios e serviços do dia a dia até 2025.
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